Menos conhecido que o Spacemen 3 pelos ‘não-iniciados’ mas igualmente seminal, o Loop surgiu na mesma Inglaterra que a banda primordial de Sonic Boom e Jason Spaceman, e também na segunda metade da década perdida entregou ao mundo uma obra catártica, desgraçadamente barulhenta e que se tornaria um dos pilares de apoio do space rock, além de uma das sementes do shoegaze e claro, uma das origens do que viria a ser chamado psych.

Heaven’s end, disco de estreia do grupo encabeçado pelo maluco Robert Hampson, não poderia ter outro nome: é onde o céu termina, incendiado e sujo; o final do azul celeste, a trilha sonora para um pesadelo distópico carregado de demência gerada por bad trips infinitas de ácido – sob o olhar de Hal 9000 e samples de “2001, Uma Odisseia no Espaço”.

Este debute do Loop é psicodélico, inegavelmente. Um de seus elementos mais fortes é o efeito hipnótico causado pela repetição de acordes simples e distorcidos. Mas é tão distante do que se entendia como psicodelia 20 anos antes de seu lançamento que encaixá-lo numa estante ao lado de outros álbuns lisérgicos seria como vestir Darth Vader com uma roupa tie dye.

A cover de “Rocket USA”, do Suicide, já deixa claro que o caminho seguido pelo trio aqui é o mesmo do primeiro trabalho do já citado Spacemen 3: estética minimalista, atitude punk, drogas e muito, muito barulho. Ouça no talo.

Essencial!

 


4 respostas a “Loop – Heaven’s End (1987)”

  1. […] o shoegaze já existia. Talvez não oficialmente, mas pense nos irmãos Reid, em Cocteau Twins, Loop, A.R Kane e você verá que a semente da cena que se auto celebra já havia sido plantada. Mas não […]

  2. […] o que falar, né? Nowhere é tão foda ponto de referência e escola quanto Isn’t anything, Heaven’s end e outros predecessores, e quis o acaso que saísse justamente no dia dos professores. Então, […]

  3. […] My Bloody Valentine, Loop, A.R. Kane e outros elevaram a junção entre a desgraceira sonora dos irmãos Reid e os sonhos […]

  4. […] e 1990 o Loop lançou três discos essenciais no universo do rock lado b, sendo o primeiro deles, Heaven’s end, uma das pedras fundamentais do shoegaze e um dos trabalhos mais catárticos, barulhentos e […]

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