My Bloody Valentine – m b v (2013)

 

Foram quase 22 anos de espera. 22 anos! É tempo suficiente para uma pessoa nascer, crescer, estudar, trepar, beber, bater o carro, ser feliz, sofrer desilusões, trabalhar, ter filhos, escrever um livro, enfim, é uma vida.

Nesses tantos anos que separam Loveless de m b v, o (não mais) lendário novo álbum do My Bloody Valentine, muita coisa realmente aconteceu. Eu, por exemplo, era um adolescente quando ouvi pela primeira vez a banda de Kevin Shields, exatamente em 1991, o ano em que me tornei quem sou. Hoje tenho quase 40, e vi o shoegaze, um gênero até então relegado aos guetos alternativos, florescer e se espalhar como chuchu, especialmente na última década. Culpa do MBV, claro.

Os irlandeses não criaram o shoegaze, mas graças a seus dois álbuns – Isn’t anything e o já citado Loveless – elevaram a massa de barulho moldada em melodias a um tipo de música cultuada mundo afora, referência e influência para um sem número de bandas; e nessas duas décadas, algumas dessas bandas criaram pequenas obras primas em se tratando de shoegaze. A pergunta é: seria o My Bloody Valentine capaz de inovar e renovar o gênero que ajudou a nascer, dando à luz um trabalho tão revolucionário quanto Loveless?

 

 

Para responder a esta pergunta me mantive à distância do burburinho ao redor do lançamento de m b v, na noite de 02 de fevereiro último. O alvoroço nas redes sociais era imenso, assim como era nítida a ansiedade daqueles que aguardavam o início das vendas do disco. Passado esse primeiro momento e já com o álbum em mãos, ouvi-o à exaustão e, após quase um mês, finalmente cheguei a uma resposta: não, o My Bloody Valentine não inovou, renovou ou revolucionou a música como fez em 1991. E isso é um problema? Claro que não.

Porque m b v é um grande trabalho do casca de ferida Shields, que mais uma vez cuidou para que tudo saísse exatamente à sua maneira. Começou a compor as nove faixas do disco ainda em 2008, ano em que reuniu a banda para alguns shows, e os mesmos Bilinda Butcher, Debbie Googe e Colm O’Ciosoig estão aqui, tocando ao seu lado, suportando seu perfeccionismo e seguindo sua cartilha do barulho.

E neste caminho pavimentado pelas ideias de Kevin Shields a banda conseguiu criar uma obra imensamente superior ao grosso do shoegaze lançado nos últimos 20 anos, mas esperar deles algum tipo de auto superação seria como esperar que os Ramones se separassem após Rocket to Russia e recriassem o punk com Adios amigos!.

Enfim, o melhor de m b v está em sua segunda metade, com a malemolência quase baggy de “In another way” – preferida por aqui – e o caos de “Nothing is” e “Wonder 2”, que fecham o pacote. Ouça e tire suas conclusões.

Recomendado.

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Um comentário sobre “My Bloody Valentine – m b v (2013)

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