Johnny Marr – The Messenger (2013)

Johnny Marr deixou os Smiths – após muitas bigas com o genioso Morrissey – em 1987, e desde então, enquanto o ex-vocalista da banda construiu uma prolífica carreira solo, o ex-guitarrista preferiu seguir por uma trilha, digamos, low profile.

Ele tocou com meio mundo (Talking Heads, Pretenders – com quem se apresentou aqui no Brasil, em 1988 -, Brian Ferry, Billy Bragg, Pet Shop Boys, The The, Modest Mouse, The Cribs) e montou dois projetos autorais, o Electronic – ao lado de Bernard Sumner (Joy Division, New Order) – e a banda Johnny Marr and The Healers.

Mas só agora, aos 49 anos, Johnny enveredou por uma carreira propriamente solo, lançando em 25 de fevereiro seu primeiro álbum, The messenger.

Em entrevista concedida em janeiro ao Guardian, Marr declarou sentir que algo estava faltando ao pop, e que “se você consegue acertar a mão nas guitarras, pode fazer algo vibrante, exuberante, luminoso. Se as pessoas disserem que partes do disco soam como os Smiths, tudo bem, porque espero que seja algo com a mesma exuberância.”

Então digamos: partes do disco realmente soam como os Smiths. Óbvio, Morrissey não era o único gênio por trás de composições memoráveis como “There’s a light that never goes out” e “How soon is now”. Sua voz e suas letras estavam lá, mas o que seria dessas canções sem a guitarra de Johnny Marr?

Em The messenger o guitarrista mostra – a quem ainda não sabe – que era ele o responsável pelas construções musicais dos Smiths, explorando ao máximo sua habilidade em alternar riffs, dedilhados, solos (curtos) e em criar texturas únicas que fizeram escola, influenciando de John Squire (Stone Roses) a John Frusciante (Red Hot Chilli Peppers). Como se não bastasse, Marr também se apresenta como um bom cantor, sem exagerar ou forçar a barra; sua voz é clara, simples, lembrando por vezes outros cantores tão ingleses quanto ele, como Andy Bell (Ride), Ian Brown e, por que não, o próprio Mozza.

Musicalmente as 12 faixas do álbum são um passeio pelo rock alternativo dos últimos 30 anos. “European me” tem uma pegada à Smiths; a ótima “Upstarts” é puro indie rock – dos 90’s ou dos 00’s, tanto faz; “Sun and moon” é pós-punk oitentista com direito a teclados e “Word starts attack” nos lembra que o guitarrista Johnny Marr sempre teve uma queda por pistas de dança (afinal ele é de Manchester, para onde aliás voltou a fim de gravar este disco).

E mesmo com tantas referências passadas, The messenger não soa em nenhum momento nostálgico ou saudosista, tentando de alguma forma recriar o passado. É um álbum pop, despretensioso e – parabéns, Johnny, você conseguiu – vibrante, exuberante e luminoso.

Recomendado!

Um comentário sobre “Johnny Marr – The Messenger (2013)

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