My Bloody Valentine – Loveless (1991)

20 anos atrás os rumos do rock – e da minha visão de música – foram entortados, derretidos, retorcidos e elevados a outro nível, distante anos-luz do hard rock farofa, da dance music tosca e de tudo que circulava mundo afora por essa época.

Entre os desbravadores desse novo mundo, quatro jovens vindos de Dublin, na Irlanda, lançavam seu terceiro disco, colocavam uma parede de guitarras distorcidas ao extremo à frente de sua música e reinventavam a concepção do termo shoegaze. A banda é o My Bloody Valentine, e o álbum em questão é Loveless.

Lançado pela Sire e todo calcado no trabalho egocêntrico e obsessivamente perfeccionista de Kevin Shields, Loveless é hoje ainda mais influente do que em 1991. Bandas e mais bandas o colocam em um pedestal e criam se valendo dele como base. E Não é para menos.

Carregado até o talo de efeitos e mais efeitos e nublado por uma nuvem onírica do começo ao fim, o álbum permanece como pedra fundamental do shoegaze. As vozes – quase inaudíveis em sua maioria – dão um ar melódico e sensual à confusão instaurada pelas guitarras de Shields e Bilinda Butcher (que também dividem os vocais) e bateria e baixo, que normalmente ditam o ritmo das músicas, também são abafados, encobertos, e por isso mesmo aparecem discretos. Parte da escola MBV…

Escutar Loveless é uma experiência única, mesmo com toda a evolução da música nesses 20 anos passados de seu lançamento. Mais que um disco, suas 11 faixas compõem uma obra mítica, um atestado de que o tempo nem sempre é capaz de datar a arte ou contextualizá-la em um período, circunstância ou situação.

Obrigatório!

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15 comentários sobre “My Bloody Valentine – Loveless (1991)

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  13. Escolher um álbum como preferido ou “o melhor” não é nada fácil,pra quem gosta muito de música sabe disso.
    Das incontáveis músicas que nos tocam n’alma,que nos remetem a pensamentos distantes e tão íntimos,sonhos a realizar ou anseios saciados,vontades,gostos ou uma mera lembrança….tudo isso uma música nos pode provocar.
    Sendo assim,é só montar uma simples playlist dessas pérolas e se deliciar mas agora….agora,vem a grande questão,e quanto ao álbum que se possa desfrutar “de ponta a ponta” com 100% de aproveitamento e desfrute??
    Eis a grande “descoberta” pessoal e íntima,sim claro!!
    Um álbum que tenha essa façanha e maestria de despertar,tudo o que mencionei acima,no seu ouvinte é sem dúvidas um clássico ímpar.
    Sonoramente falando,imagino a superlativa felicidade de quem têm elegido e descoberto mais de um álbum com esses dotes…
    Um bocado de discos ouvi,incontáveis por ainda descobrir,e quero muito ampliar a minha lista pessoal de álbuns mágicos mas até agora e hoje apenas um…
    Bom,até hoje sou cativo desse tal entitulado Loveless.
    Não que seja o mais ouvido da minha discoteca,música têm dessas ora víscerais e ininterruptas “sessions” ora de quando em vez….o fato é que toda audição desse disco me remete a além-mar de pensamentos e sensações.
    E,uma vez mais,recorrente e repetitivamente,tal qual a hipnotizante e redundante atmosfera do disco me vejo “tentando” novamente descrever as impressões que me causam ao ouví-lo…
    Enfim,explicar o que se sente é difícil,por vezes nos faltam a sabedoria do verbo ou a tentativa de associar a sensação com a razão…mas decerto tenho minha conclusão pessoal sobre esse disco : o MBV conseguiu traduzir em sons algo indizível,que apenas é sentido quando se ouve e “descobre” esse tal de Loveless…transcendência sonora,assim a chamo…….eis minha trilha pessoal,Loveless…

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