1987, o ano em que o My Bloody Valentine se reinventou

 

“No começo era a escuridão. E fez-se a luz.”

Até 1987 o My Bloody Valentine era uma coisa. Uma coisa bacana, diga-se, mas ‘apenas uma coisa’. Liderados pelo vocalista David Conway, os Valentines eram algo como um Cramps gótico, meio perdidos entre o turbilhão de bandas dark que começavam a amplificar e distorcer suas guitarras influenciados – a grosso modo – pelos irmãos Reid.

Isso, como dito, até 1987. Porque há 30 longos anos algumas coisas aconteceram e os irlandeses se desgarraram do rebanho guiado pelos Mary Chain para se reinventarem e assim ajudarem a reinventar a música.

 

 

Conway começava a perder espaço criativo para o insuportavelmente chato, genioso e genial Kevin Shields, que desde o ano anterior – quando a banda lançou o EP The new record by My Bloody Valentine – vinha forçando suas referências musicais sobre a sonoridade majoritariamente pós-punk da banda. Era a época da C86, a influência sessentista gritava e Shields sabia perfeitamente o que absorver dela.

Em fevereiro de 87 o MBV debutava pela Lazy Records com o single Sunny sunday smile e ao primeiro acorde da faixa-título já era notável a guinada, ainda mais nítida no refrão com backing vocais harmônicos e seus ‘na na na na’s’ (sem contar o timbre das guitarras e as inconfundíveis viradas de bateria de Colm Ó Cíosóig). Era a despedida de David Conway.

 

 

Em 09 de novembro daquele mesmo ano o My Bloody Valentine lançava Strawberry wine – seu segundo trabalho pela Lazy – e apresentava oficialmente ao mundo sua nova guitarrista (arregimentada em abril), a londrina Bilinda Jayne Butcher, a açougueira que chegava para completar a formação clássica do grupo e dividir os microfones com Shields criando ‘aqueles vocais’ que todos conhecemos e amamos.

Começava a ser pavimentado o caminho que levaria a Isn’t anything

 

 

Mas antes, ainda em novembro, a banda se via obrigada a por no mercado um novo disco por exigência de sua gravadora. Sunny sunday smile e Strawberry wine haviam atingido um certo sucesso nos charts ingleses, e a Lazy não queria perder a oportunidade de aumentar seu faturamento; então no dia 23 chegava às prateleiras mais um mini álbum dos Valentines, chamado Ecstasy.

O disquinho foi gravado às pressas e o quarteto enfrentou uma série de perrengues durante as sessões que resultaram em suas sete faixas: segundo Shields, que compôs e arranjou tudo, a banda não sabia direito o que queria e tampouco o que fazia no estúdio; depois houve mais problemas técnicos com a masterização, enfim, Ecstasy veio ao mundo quase gêmeo ao seu predecessor, inclusive musicalmente. Não agradou muito aos críticos nem aos próprios autores, mas ali o Sr. Escudos começava a experimentar mais com as possibilidades do barulho (atenção à “Claire”), e o resultado dessas experiências viria no ano seguinte com “You made me realise”, mas essa história continua em um próximo capítulo, com a presença da Creation Records, do Tremolo e outros personagens…

 

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