Cloud Nothings – Life Without Sound (2017)

 

O que dizer sobre Dylan Baldi, esse menino de 25 anos que nem conheço pessoalmente e considero tanto? Queria trombar com ele um dia lá pelas ruas de Cleveland ou aqui pelas quebradas de SP, sentar e tomar umas geladas, falar da vida e descobrir porque ele ama tanto o rock dos anos 90. Influência familiar, tipo irmã mais velha ou mãe?

Porque desde que montou o Cloud Nothings o que ele faz é trazer para o século XXI a porra toda que fazia a mim e a tantos amigos sacudir a cabeça e o esqueleto em porões sujos pelas madrugadas paulistanas, andando atrás de garotas com saias xadrez e coturnos e tentando descolar qualquer substância ilegal para misturar com álcool e barulho.

Se no início de sua ‘carreira oficial’ Baldi – talvez por influência do produtor Steve Albini – flertou um bocado com riffs pesados de hard rock e mais ainda com o punk torto (que por sua vez juntos praticamente inventaram o grunge), com o passar dos anos o rapaz vai cada vez mais em direção aos citados 90’s e a várias vertentes do chamado rock alternativo de então.

Você pega tudo que ele vem fazendo desde Here and nowhere else e ouve referências que vão de Superchunk a Sunny Day Real Estate, de Seaweed a Weezer, e o resultado é invariavelmente foda.

Life without sound, quarto disco de estúdio do Cloud Nothings é mais um prato cheio desse rango que aprendemos a apreciar há vinte e tantos anos atrás, mas que não tem cheiro nem gosto de mofo. Lançado via Carpark no final de janeiro, o álbum traz 9 faixas diretas, sem firulas ou enfeites; riffs simples, distorções, berros e punch (quase sempre) acelerado são a receita do biscoito, primeiro lançamento que ouvi neste ano e por isso a primeira novidade a rolar por aqui em 2017.

Ouça alto!

 

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2 comentários sobre “Cloud Nothings – Life Without Sound (2017)

  1. Desempregado e com tempo livre sobrando, resolvi parar pra ouvir Life Without Sound enquanto lia a review e não fiquei surpreso em me deparar com mais um belíssimo texto. Está chovendo em Fortaleza e o clima fica absolutamente convidativo pra um programa desse tipo. O tempo frio faz um apelo silencioso para um café ( bem quente e o fato de estar a sós em casa, me permite fruir a audição com todo o cuidado que o disco requer. As canções são fáceis de se ouvir e remetem, sim, aos anos 90. (…) de repente me bateu um certo saudosismo que eu reconheço pelas imagens que as afinações e distorções recriam na minha cabeça. Há uma rebeldia mais contida neste disco, mas o fato é que ele nos impurra pra frente de modo a reacender o clima da época. Em alguns momentos me lembra uma banda de que também gosto muito e que se chama Electrafixion no disco Burned Extra. #esteriltipo

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