



Hoje o PCP começa a prestar uma pequena homenagem aos heróis que nos anos 90, sem internet, estúdios caseiros baratos ou os aparatos tecnológicos que hoje proporcionam comodidades (como enviar e receber músicas por email/ftp/etc) fizeram acontecer algo próximo ao que se pode chamar de cena.
Se nos anos 80 lugares como o Madame Satã foram berço para muitas bandas que depois cairiam no gosto popular (os Titãs são um bom exemplo), nos 90’s as coisas foram diferentes.
Os buracos underground – como o Retrô e posteriormente o Der Temple, o Urbânia, etc – serviram de lar para uma porção de grupos pioneiros no rock de guitarras. Só que estes nunca ficaram famosos e ricos (pelo menos não com a música), mas sua importância para a formação de muitas das bandas que hoje são parte do cenário independente é monstruosa.
20 anos depois…
O Pin Ups surgiu em São Paulo ainda nos anos 80, com Zé Antonio (Algodoal), Luiz Gustavo e Marquinhos. São cultuados até hoje como a primeira guitar band brasileira, contemporâneos de tudo que rolava no lado b do hemisfério norte (shoegaze, dream pop, madchester, etc). Durante os anos 90 passaram por muitas transformações, com mudanças de line up (a maior delas a entrada da Ale Briganti) e de sonoridade, indo do barulho ao indie pop.
Time will burn é a estreia da banda, lançado em vinil pela Stilleto em 1990. Tem muito de Jesus and Mary Chain, mas tem também os wah wah que marcaram as bandas de Manchester, vocais à Velvet Underground…É um disco sujo, mesmo quando não é barulhento (“Hard to fall”, “Thousand times”). Verdadeira pedra fundamental do rock alternativo nacional.
Killing Chainsaw ao vivo no junta tribo de 93. Lendário!
Vindo direto de Piracicaba, o Killing Chainsaw é outra força mítica da cena indie dos anos 90, movida ao mesmo tempo à distorções e melodias. Lançaram dois álbuns e se separaram, e de suas cinzas surgiu outra ótima banda, o Grenade.
Killing chainsaw, o álbum, saiu em 92. Menos sujo que o debute do Pin Ups, é por assim dizer mais trabalhado, com experimentações de guitarra e vocais mais melódicos à Sonic Youth. Tive a oportunidade de vê-los ao vivo apenas duas vezes, uma delas no Junta Tribo (lendário festival que aconteceu na Unicamp em 93 e 94, onde também tocaram Pin Ups e uma porção de gente boa). Clássico, no mínimo.
O Second Come sentindo como se não soubesse o que está fazendo
Os cariocas do Second Come chegaram a estar capa da Bizz e tocar no rádio, mas duraram apenas dois álbuns. You (lançado pelo finado selo Rock it!), o primeiro deles, é urgente, nervoso, um esporro sonoro à base de guitarras e garganta.
Acelerado, o disco é seco, direto. “Run run”, a terceira faixa, é quase um hino para a geração 90’s, assim como a cover de Madonna “Justify my love”. Ao vivo, eles eram selvagens e muito barulhentos.
Dream pop brasuca
Encabeçado pelos irmãos Giulliano e Giovanni, o Low Dream surgiu em Brasília no comecinho dos anos 90, e é dessa primeira geração de guitar bands nacionais a que mais se aproxima(va) do shoegaze/dream pop, com guitarras distorcidas ao talo e vocais etéreos.
Seu primeiro álbum, Between my dreams and the real things saiu também pela Rock it!, em 94. Hipnótico e derretido, é construído sobre uma sólida base de guitarras e traz clássicos do shoegaze brasileiro, como a preferida da casa “Sugar drops (song for a fairy)”. Essencial!
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PS: Em breve – ou talvez nem tanto – vai ao ar a segunda parte deste pequeno especial. Não deixe a história morrer! Compartilhe!
