Parece que foi ontem, mas já se vão 20 longos anos desde que os escoceses do Teenage Fanclub lançaram Bandwagonesque, seu segundo disco e ponto de partida de um longo e duradouro caso de amor entre a banda e eu.

Mesmo ofuscado por outro lançamento da mesma Geffen que o colocou no mercado (Nevermind, do Nirvana), o álbum consolidou o Teenage Fanclub como um dos grandes nomes do indie rock britânico.

 

 

Explorando terrenos já conhecidos no universo do rock and roll, o grupo da gelada Glasgow trouxe para os anos 90 em Bandwagonesque a inocência de bandas como Beatles – na fase pré-Revolver – e Byrds, o punch dos Kinks e o power pop um tanto preguiçoso dos norte americanos do Big Star.

O disco abre em clima de baile de formatura bêbado com “The concept”, canção que pode parecer romântica mas na verdade mostra o humor ácido de Gerard Love (e também de Norman Blake), presente em praticamente todas as faixas – com exceção, claro, às instrumentais “Satan” e (a linda) “Is this music?”.

Bandwagonesque é todo pontuado por riffs de guitarra marcantes, que de uma maneira muito peculiar (e característica do Teenage Fanclub) casam-se perfeitamente com as vozes deliciosas, harmônicas e extremamente pop de Love, Blake e Raymond McGinley.

 

 

 

Esse casamento – que foi escola para bandas como Weezer, Nada Surf, Travis, etc – permanece firme e forte ainda hoje, 22 anos após seu início. De adolescente a banda não tem mais nada, mas mantém sua essência intacta e continua lançando álbuns preciosos (o último, Shadows, saiu ano passado) e fazendo shows emocionantes (alguém aí estava em alguma das duas apresentações que a banda fez em SP?).

Bandwagonesque – que superou Nevermind, Loveless (do My Bloody Valentine) e Out of time (do R.E.M) na lista de melhores discos de 91 da revista Spin – é sem a menor dúvida um daqueles momentos mágicos da música, quando um artista vai além do comum e cria uma obra atemporal.

E assistir “Star sign” no Lado B aos 15 anos de idade pode causar danos irreversíveis na mente e na alma de um jovem roqueiro…


7 respostas a “Teenage Fanclub – Bandwagonesque (1991)”

  1. Fabio

    Pois eh xara, eu tive a mesma impressao que voce. Em 1991 conheci 3 bandas importantes na minha vida: nirvana que me levou a gostar de outros sons, teenage fanclub que me mostrou que nao eh so no passado que tem musica boa e o primal scream que me mostrou coisas alem do rock and roll. Bandwagonesque eh phodda, com PH e dois D de toddy.

    Abracao,

    P.S : escutei esse disco hoje no amanhecer.

    1. Foda o ano de 91, né ;D Esses foram essenciais na minha vida tb, e eu acrescentaria aí o Loveless, do MBV.
      Abrazzz

  2. […] na mesma linha de acordes limpos, arranjos simples e belas harmonias(assim como acontece com o Teenage Fanclub, por […]

  3. […] chega na última canção do álbum, “Sweet band”, uma bela balada que lembra Big Star/Teenage Fanclub. Mas aí o estrago já está feito, e não há […]

  4. […] Father, son, holy ghost (True Panther Sounds, 13 de setembro) traz Christopher Owens e Chet ‘Jr’ White em mais um passeio por referências que vão das duas fases dos Beach Boys (surf music pop/psicodelia) ao romantismo do Teenage Fanclub. […]

  5. […] prix chegou a mim e esse foi um instante tão arrebatador quanto a descoberta da banda através de Bandwagonesque. Apertar o play e logo de cara ser tomado por “About you”…porra, definitivamente […]

  6. […] Não é nenhum segredo – ou ao menos não deveria ser – que uma das grandes influências na música do Death Cab For Cutie é o Teenage Fanclub. Basta ouvir o primeiro e conhecer minimamente o segundo pra sacar isso. Ponto. E no ano passado o vocalista dos Cuties, Ben Gibbard, atestou esse fato quando regravou na íntegra o segundo álbum dos escoceses, o maravilhoso Bandwagonesque. […]

Deixar mensagem para Ben Gibbard – Bandwagonesque (2017) | PEQUENOS CLÁSSICOS PERDIDOS Cancelar resposta