1998 e o renascimento do Silver Apples

As maçãs prateadas em 1968. Foto: The Wire

Quando a internet se tornou rápida e estável e programas P2P tornaram possível baixar música num estalo de dedos, não foram poucas as bandas que passaram de desconhecidas a favoritas em madrugadas inteiras lendo, ouvindo, fuçando e descobrindo novidades, fossem elas realmente novas ou não. Foi exatamente nesse contexto que me surgiu o Silver Apples.

A dupla nova-iorquina, sobre a qual já falei um pouco aqui, nasceu e morreu entre o final dos anos 60/começo dos anos 70, quando lançaram dois discos que descobri ali pelo final da década de noventa e que até hoje volta e meia retornam aos meus players. Mas nem a morte ou os dois álbuns foram permanentes; há 20 anos atrás um DJ da WFMU, em Nova Jersey, recebeu uma ligação de Danny Taylor para falar sobre um achado: o baterista dos Apples havia encontrado numa caixa de papelão perdida em seu sótão uma fita com as sete faixas prontas que estariam no terceiro disco do duo e outras sete instrumentais contendo apenas os takes de bateria, tudo gravado em 1969.

Daí para um contato com Simeon e o lançamento do ‘disco perdido’ foi um pulo. O cara gravou uma sessão que batizou de Noodle, adicionando vocais, instrumentos e efeitos sobre as bases de Taylor, juntou às sete originais e assim, 30 anos após seu debute, as maçãs prateadas entregavam ao mundo em setembro The garden. As faixas de 69 se intercalam às ‘noodle tracks’, e dá pra sacar a diferença entre elas, afinal um buraco de 30 anos não é qualquer buraco. Mas Simeon nunca perdeu a mão, e conseguiu reencarnar os Apples no mesmo corpo experimental no qual nasceu. Ouça e na sequência volte seis meses no tempo, à abril de 1998…

 

 

…porque antes de se reunir com Danny Taylor e desenterrar o ‘disco perdido’, Simeon reformou o Silver Apples e ao lado de Xiam Hawkins e Michael Lerner gravou e lançou em abril daquele ano Beacon, o terceiro álbum ‘oficial’ da banda. Seu interesse em retomar as atividades veio após o lançamento de um bootleg com os dois primeiros discos em 94, e um tributo do selo inglês Enraptured, chamado Electronic evocations – A tribute to The Silver Apples (de 1996); mas apesar do esforço, Beacon passa longe do que era o Silver Apples.

Adiantando novamente o tempo, após o reencontro com Taylor e The garden, a dupla começou a excursionar e tudo corria bem até que num acidente com a Van da turnê Simeon quebrou o pescoço e só voltou à ativa em 2004 – sem poder tocar novamente o instrumento que criou e batizou -, um ano antes da morte de Danny.

Simeon, que veio ao Brasil em 2012, permanece na estrada até hoje tocando sob o nome Silver Apples. Seu último disco é Clinging to a dream, de 2016. Mas sobre ele falo outro dia. Porque o rolê hoje é para 20 anos atrás.

Longa vida às maçãs prateadas

 

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