Radiohead – Amnesiac (2001)

Em 1997 o Radiohead lançou aquele que para muitos é seu melhor álbum, o premiado OK Computer. A banda, que começou como ‘mais um grupo de guitarras inglês’ em 1993 com Pablo honey e se afirmou dois anos depois com The bends, dava então um salto, tirando riffs e colocando texturas, quebrando o quadrado e se apresentando ao mundo um bocado diferente da época em que “Creep” os revelara.

Enfim, a turnê mundial de OK computer, retratada com perfeição no documentário “Meeting People is Easy”, deixou o quinteto de Oxford em frangalhos. 108 shows em um ano, exaustão e a certeza de que o circo do rock and roll montado pela indústria cultural não era o caminho que eles desejavam seguir.

O resultado desses sentimentos veio no ano 2000 com Kid A e a quebra definitiva com os padrões roqueiros e com o mercado da música: um disco ácido, sombrio, completamente eletrônico e experimental, que decepcionou os fãs e deixou os engravatados enlouquecidos. mas ok, ‘deve ser só um lapso dos meninos, no próximo trabalho eles continuam de onde pararam em 97, né?’. Não, a história não foi bem essa.

O Radiohead deveria ser o novo U2, deveria levar multidões aos estádios e gravar discos cada vez piores. Bem, eles ainda arrastam multidões, mas em junho de 2001, quando apenas um ano após Kid A entregaram aos executivos seu novo álbum, creio que ter sido um choque ainda maior que em 2000.

Porque Amnesiac não só era ‘a cara’ de seu antecessor, como era todo composto por ‘sobras’ dele. Sim, enquanto o mundo esperava “No Surprises”, o Radiohead veio com “Packt Like Sardines in a Crushed Tin Box”. Uma surpresa, hã? (Piada sem graça…).

Refutando o fácil e seguindo pelo sinuoso caminho anti-comercial, o Radiohead tirou da cartola um coelho de pelos negros e dentes serrilhados, com os olhos vermelhos e esbugalhados, do tipo que assombra criancinhas em pesadelos.

Ok, Amnesiac não é tão assustador quanto Kid A; não é tão sombrio, nem tão surpreendente – ao menos para quem não esperava uma ‘volta das guitarras’ -, mas é a prova definitiva da ruptura dos caras com as estruturas caretas da música e do mercado. Livre de amarras a banda partiu em direção ao futuro, e se esse futuro era então de incertezas e repartiu opiniões, foi também um divisor de águas, ou melhor, a passagem das águas calmas e cristalinas da estabilidade para as águas turvas da mudança.

Andar pelo torto é uma arte para poucos. E é por aí que o Radiohead prossegue.

Essencial!

Anúncios

2 comentários sobre “Radiohead – Amnesiac (2001)

  1. Pingback: Radiohead, um banquinho e um violão | PEQUENOS CLÁSSICOS PERDIDOS

  2. Pingback: Radiohead – Amnesiac B-Sides | PEQUENOS CLÁSSICOS PERDIDOS

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s