Lautmusik – Juniper (2015)

Quatro anos separam Lost in the tropics, o primeiro disco cheio da Lautmusik, de Juniper, o segundo e recém-lançado trabalho dos gaúchos preferidíssimos da casa. Quatro anos e muitas experiências.

De lá pra cá o quinteto foi escolhido pelo próprio Robert Smith para abrir os shows do Cure no Brasil, a vocalista Alessandra Lehmen foi estudar fora do país e a banda, como um todo, aprendeu um bocado sobre o que queria para o próximo álbum.

A gestação de Juniper, na verdade, começou ainda na ressaca de Lost in the tropics. Em 2013, antes de partir para o exterior, Alessandra gravou os vocais e seus quatro parceiros (Cassio Forti, Guilherme Nunes, Murilo Biff e Rodrigo Prati) gravaram e produziram as canções ao lado de Eduardo Suwa. Quando a primeira masterização ficou pronta foi enviada para a vocalista, que estava num trem em Berlim, e não gostou do resultado: ‘…a primeira master veio com a referencia do Lost (de volume e compressão) e me deu um desconforto auditivo terrível. A primeira coisa que fiz foi achar um wi-fi e dizer PARA TUDO! A segunda foi tomar uma cerveja (risos).’

Com calma a banda retornou à labuta, e usando a experiência adquirida com o tempo sacrificou o volume em prol da dinâmica; o resultado é um disco cristalino, aberto, onde se ouve cada detalhe, dos riffs distorcidos à poderosa cozinha pós-punk e chegando, claro, aos vocais de Ms. Lehmen. Vocal, aliás, que também soa bem diferente do que era há 4 anos atrás.

Se musicalmente a Lautmusik evoluiu e encontrou, por assim dizer, o equilíbrio necessário para as estruturas de Juniper, Alessandra buscou novos timbres para fugir das comparações com as cantoras góticas dos anos 80. ‘Todo mundo tem uma zona de conforto, né? Pra mim seria mais fácil cantar tudo em dó ou do naquela empostacão da Siouxsie, mas quando começaram a achar parecido eu mudei deliberadamente’. Bola dentro, tanto em matéria de arranjos e produção quanto nos vocais.

As 10 canções de Juniper – que saiu em outubro via Midsummer Madness – são uma viagem guiada pelas ótimas influências da banda: o rock de guitarras distorcidas e o sombrio pós-punk oitentista, com vista para outras paisagens, como a psicodelia que surge discreta em alguns momentos e mais escancarada nos primeiros 3 minutos de “War” e em “Wallflower”, oitava e última faixa do álbum respectivamente.

Se existe a tal ‘síndrome do segundo disco’, a Lautmusik passou batido por ela, ou melhor, a subverteu. Juniper superou as expectativas e com ele o grupo pavimenta o caminho da autonomia, da independência em relação ao mercado e à produção; isso aliado à força de suas composições os coloca no seleto rol de bandas que ainda fazem do indie rock um alento aos ouvidos e corações cansados da mesmice.

Altamente recomendado!

Anúncios

Um comentário sobre “Lautmusik – Juniper (2015)

  1. Pingback: Especial – Os Melhores Álbuns Nacionais De 2015 | PEQUENOS CLÁSSICOS PERDIDOS

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s