Mars – 78+/The Complete Studio Recordings (1996/2003)

Em 1982 o então jovem quarteto Sonic Youth debutava com um EP homônimo exalando por todos os poros o underground nova-iorquino e todas as experimentações criadas nesse ambiente barulhento chamado no wave.

Essa caótica cena cultural surgiu na segunda metade dos anos 70, englobando música, cinema e vídeo, performances, teatro, e se o SY foi seu maior expoente, levando o submundo ao mainstream e influenciando gerações de outros artistas, antes deles esse caldeirão já fervilhava.

Em 1978 Brian Eno produziu e lançou uma coletânea chamada No New York, um contraponto à emergente new wave e, por assim dizer, o marco zero da no wave. No disco havia 4 bandas: Contortions (de James Chance), Teenage Jesus and The Jerks (da musa Lydia Lunch), D.N.A. (de Arto Lindsay) e o Mars (da insana Lucy Hamilton, mais conhecida como China Burg – China que, aliás foi o primeiro nome do Mars).

A ideia aqui no PCP é, ao invés de apresentar a coletânea de Eno, pôr na roda discos dessas 4 bandas, e pra começar hoje giram em nossa vitrola virtual duas compilações da última delas, o Mars. Com vocês 78+ e The complete studio recordings.

78+

O álbum acima, 78+, reúne o primeiro EP do Mars e faixas gravadas ao vivo; foi lançado originalmente em 1986 sem o ‘+’ no título pela Widowspeak Records, selo de Lydia Lunch, e depois reeditado pela gravadora de Chicago Atavistic Records dez anos depois.

Tanto ele como The complete studio recordings, que você ouve logo abaixo, mostram de onde vieram as experimentações mais insanas do Sonic Youth. Não se ouve aqui as linhas melódicas de canções como “Sugar kane” ou “Sunday”, as faixas estão mais para Badmoon rising que para Goo, obviamente traçando um paralelo entre criador (o Mars) e criatura (o SY).

The complete studio recordings

E como adendo histórico, o Mars foi formado em 1975 e seus quatro membros (a já citada China Burg, Mark Cunningham, Nancy Arlen e Rudolph Grey) nunca haviam tocado instrumentos antes de montar a banda. Durante sua curta vida (3 anos) fizeram pouquíssimos shows, sendo o primeiro deles no CBGB em janeiro de 77 e o último no Max’s Kansas City em dezembro do ano seguinte.

The complete studio recordings saiu pela Spooky Sound, selo do baixista do grupo, Mark Cunningham, único ainda em atividade. A vocalista Sumner Crane morreu de linfoma em 2003 e a baterista Nancy Arlen faleceu três anos depois após uma cirurgia no coração.

E se os dois álbuns do Mars apresentados aqui por vezes beiram o inaudível, são cartilhas sonoras para entender os emaranhados caminhos do rock experimental e barulhento. Por essas e por outras são essenciais.

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