Primal Scream – Screamadelica (1991)

Há exatos 20 anos, no dia 23 de setembro de 1991, a música pop sofria um abalo tão forte que suas estruturas nunca mais voltariam ao normal.

Screamadelica, terceiro disco da carreira dos escoceses do Primal Scream, é daqueles álbuns que funcionam como catalisador de uma época, retratando um período de transformação cultural e servindo de trilha sonora para quem o viveu.

Até então o Primal Scream era mais uma banda indie pagando tributo à sonoridade dos anos 60. Mas o final dos anos 80/começo dos 90 trouxe mudanças ao mundo, e eles – assim como muitas outras bandas – não ficaram incólumes a essas mudanças.

O acid house, os clubes, as raves e o ecstasy levavam à loucura as tradicionais famílias britânicas, que assistiam horrorizadas o abalo sísmico causado pela combinação destes elementos.

E os Screams, liderados pelo ex-baterista do Jesus and Mary Chain Bobby Gillespie, absorveram e regurgitaram como ninguém tudo que acontecia a sua volta.

Quando conheceram – numa rave, em 1990 – o DJ Andrew Weatherall, lhe pediram para remixar uma de suas músicas, chamada “I’m losing more than I’ll ever have”, e o resultado foi o ponto de partida para Screamadelica.

Agora chamada “Loaded”, a música ganhou contornos derretidos, e lá seu foram os vocais, sua aura de rock inocente e seu DNA original. Em seu lugar, os beats dançantes, os arranjos instrumentais (com um riff de guitarra poderoso lá pela sua metade) e a voz de Peter Fonda sampleada perguntando: ‘Do you wanna be free, to do what you wanna do? Do you wanna get loaded, and do you wanna have good time?’. Oh yeah!

Screamadelica tem rock, soul/gospel, dub, acid house, tudo tão intenso, tão carregado, que suas muitas faces brilham tanto isoladamente quanto juntas.

Do rock stoniano de “Movin’ on up” ao dub eletrônico de “Higher than the sun”, passando pela pista de dança incendiada de “Don’t fight, feel it” e indo ao espaço com “Inner flight”, o álbum condensa todos os efeitos de um ecstasy sem anfetaminas em suas 11 músicas.

Assim, Screamadelica vai do derretimento total à fritação mais intensa. Ouvi-lo causa sensações, e os pudicos que me perdoem, mas ele é uma das maiores provas de que as drogas podem realmente servir como combustível criador.

Se nos anos 60 a geração hippie era movida a LSD e através de seus efeitos quase místicos realizaram grandes discos, nos 90 o Primal Scream fez do MDMA a base para definir, em pouco mais de uma hora de música, todo o hedonismo de uma geração que de certa forma também buscava se libertar de amarras passadas.

E hoje, 20 anos depois, sua influência transcende o tempo e continua imensurável.

Come together as one!

Obrigatório!

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6 comentários sobre “Primal Scream – Screamadelica (1991)

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