PCP Entrevista – Isabel Monteiro (Drugstore )

A brasileira Isabel Monteiro partiu há anos para uma viagem como mochileira pela Europa. Ao chegar a Londres, se encontrou, e decidiu que ficaria por lá.

Algum tempo depois, sua veia musical saltou e assim surgiu o Drugstore.

Após dez anos de carreira e três discos essenciais, a pressão do ‘rock and roll circus’ foi demais para ela, e a banda se separou. Até que o mar da vida a trouxe de volta ao cenário musica, com um Drugstore reformulado e um novo – e belo – disco, Anatomy.

A seguir, a entrevista que a fofíssima Miss. M concedeu, via email, ao PCP.

Miss. M

PCP: Vamos começar do início: Por que você decidiu se mudar para a Inglaterra e como nasceu o Drugstore?
Isabel: Wow, nós precisamos de uma máquina do tempo supersônica para isso. Eu não tinha realmente nenhum plano pessoal ou musical – apenas terminar minha viagem pela Europa, como vários jovens fazem, com uma mochila nas costas e alguns dólares no bolso. De repente me vi em Londres e acabei me apaixonando pela cidade. É um lugar fácil para um marinheiro de primeira viagem aportar, conseguir um lugar para ficar; e eu imediatamente me senti em casa.

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PCP: Após três grandes discos, o Drugstore acabou. O que exatamente aconteceu com você e com a banda?
Isabel:
Quando estávamos prestes a começar a promover Songs for the jet set eu estava muito cansada do carrossel que é a vida no rock and roll. Tinha passado os últimos dez anos na estrada e precisava de uma pausa.
No dia que recebi o fax da gravadora com todo o material de promoção, apenas olhei para ele e pensei: não posso mais fazer isso.

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PCP: Você pode nos contar algo sobre os últimos dez anos? O que aconteceu contigo e por onde você esteve?
Isabel:
No começo foi ótimo. Eu tinha um monte de dinheiro, e passei alguns anos só gastando e vagueando pelo litoral. Mas então a grana acabou, a realidade ‘me chutou’ e me vi em uma situação muito dura, sem dinheiro e isolada.

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PCP: Como foi a decisão de retomar sua carreira?
Isabel:
Eu nunca pensei sobre isso como ‘carreira’. Uma vez que consegui reestruturar minha vida, recomecei a escrever e tinha uma visão muita clara de que Anatomy seria um registro bem pessoal dos últimos anos.

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PCP: Suas músicas são muito passionais, e Anatomy soa bastante melancólico. Quais as inspirações para suas letras?
Isabel:
Eu nunca sei de onde vêm as ideias para as composições, não há um planejamento de verdade. Elas simplesmente acontecem, então meu palpite é que elas vêm de algum belo e escondido local da mente, e em algum ponto elas sobem à superfície, assim, inevitavelmente.

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PCP: Anatomy é mais folk/acústico e menos barulhento que seus predecessores. Este é o caminho do Drugstore agora?
Isabel:
Precisava ser assim, para refletir meu próprio isolamento e o quanto meu universo tinha encolhido. Além disso, por ter feito tanta barulheira no início da carreira eu queria um disco menos preso a estilos, que pudesse ser gravado em qualquer tempo, sem ser afetado por ele.
Mas se eu gravar um novo álbum, tenho a impressão de que será novamente diferente, e irá refletir a nova experiência de estar de volta ao mundo e ‘fora da caverna’.

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PCP: Como foi o processo de escrever, gravar e lançar Anatomy? Eu li algo sobre crowdfunding…
Isabel:
Tínhamos um acordo para um disco com uma pequena – mas bacana – gravadora, a Rocket Girl, que já tinha lançado material dos (geniais) Tindersticks e do Low, e foi ótimo. Mas eu tinha consciência de que precisaríamos de grana extra para os ‘periféricos’ (álcool, músicos, ensaios, etc), então fizemos um ‘pledge fund’ com nosso fãs, e conseguimos levantar todo o dinheiro que precisávamos, bem rápido. Foi uma coisa muito bacana de se fazer, todos se envolveram e se tornou parte do projeto.
Acho também que isso realmente deu uma nova dimensão ao álbum, com todos seguindo sua história passo a passo, como uma mini novela de rock and roll, e juntos nós só queríamos atingir a linha de chegada e vê-lo pronto e lançado.

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PCP: Diferentemente dos primeiros álbuns do Drugstore, Anatomy foi lançado em tempos de uso pesado da internet. Como você usa a rede para trabalhar (ou não trabalhar) e como você enxerga os caminhos da música nesses novos tempos (download, copyright, etc)?
Isabel:
É brilhante, especialmente para as bandas menores ou cultuadas apenas na cena indie, como o Drugstore. Temos muito mais lojas (virtuais) para expor (e pegar) nosso material, e temos um canal de comunicação direta com nossos fãs, o que é ótimo.
Mesmo os downloads ilegais são – em certo aspecto – bons para a banda, já que atrai novos fãs. Mas infelizmente não é tão bom para selos independentes, como a Rocket Girl, já que eles acabam perdendo vendas valiosas para sua sobrevivência.

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PCP: Você gosta de música brasileira?
Isabel:
Me desculpe? Se eu ‘gosto’ de música brasileira? Tá de brincadeira, né? Eu AMO música brasileira. Nós somos uma nação extremamente musical, com um incrível talento, poesia e lirismo.
Eu ainda sou apaixonada pelos ‘velhos mestres’, como Jobim, Chico, Caetano, etc. E há outra coisa que notei morando fora e convivendo com outra cultura: os brasileiros tem o ritmo no sangue, é algo natural para nós.
Confesso que algumas vezes me virava para o baterista e dizia: ‘não, não, esse não é o groove…deixe-me mostrar para você como se faz’ (provavelmente ele não gostava muito…).

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PCP: Quais bandas/artistas você anda ouvindo?
Isabel:
Eu amo o novo disco do Girls (Father, son, holy ghost) e tambeḿ estou apaixonada pela voz de Marcus Foster.

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PCP: Para terminar, deixe uma mensagem para os fãs brasileiros.
Isabel:
Mandem-me pastel de palmito!

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E Fábio, me desculpe por ter escrito em inglês. Meu português com falta de prática anda superfeio (assim mesmo, tudo junto).

Tá desculpada, Isabel!

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