Abe Vigoda – Crush (2010)

 

O Abe Vigoda surgiu na Califórnia como tantas outras bandas surgem mundo afora: após assistirem uma apresentação de outra banda local (nesse caso, do Mika Miko). O ano era 2003, e o tal show que motivou Juan Velazquez e Michael Vidal (ambos vocal e guitarra) a chamarem os amigos de escola David Reichardt e Reggie Guerrero (baixo e bateria, respectivamente) para começar uma banda aconteceu em um lugar chamado The Smell, mistura de clube e centro cultural alternativo de onde também saíram bandas como No Age e HEALTH, entre várias outras.

Totalmente imersos na atitude faça você mesmo e no espírito de coletividade que são marcas desta leva de grupos o quarteto lançou em 2008 pela PPM (Post Present Medium, selo do baterista do No Age) o elogiado Skeleton, disco de rock torto e nada convencional que recebeu o rótulo de tropical-punk (seja lá o que isso signifique). Falar de uma mistura entre o Wire e o Animal Collective torna a compreensão mais fácil.

Após um EP no ano passado (Reviver), a banda chega em 2010 pondo em prática a liberdade criativa e se jogando de cabeça no pós-punk e no rock gótico dos anos 80 com Crush, seu mais recente trabalho.

Enxugando a percussão e adicionando sintetizadores, o Abe Vigoda dá em Crush uma guinada em sua sonoridade. Nada radical a ponto de soar absurdo, mas assim como fez o No Age em Everything In Between eles afrouxaram alguns nós, apertaram outros e mantendo-se íntegros e ainda originais se reinventaram.

 

 

“Sequins” já inicia o disco mostrando que as coisas estão diferentes, menos tribais e experimentais e mais simples. Na sequência, com “Dream Of My Love (Chasin After You)” dá até para sentir o chão grudento do Madame Satã (ou Morcegóvia, The The) sob os pés e o gosto de BTX na boca de tão gótico que fica o clima. Coldwave em pleno 2010.

A faixa que dá nome ao disco é a mais nervosa das dez presentes em Crush, com guitarras shoegaze e uma pegada que remete mais ao começo da carreira da banda. Na outra ponta da corda “We Have To Mask” emula o New Order dos primeiros álbuns: um pé na melancolia, outro na pista de dança – mas com vocais à Bowie.

No frigir dos ovos o Abe Vigoda faz em seu novo disco uma releitura honesta do pós -punk e funciona diferentemente para diferentes audiências: aos mais jovens, apresenta uma sonoridade que pode parecer nova, mas não é; aos mais velhos – como eu – traz para 2010 um ar retrô e um clima de já vi isso antes, mas mesmo assim ainda me agrada.

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