Portishead – Portishead (1997)

 

Eu ia escrever sobre Portishead, o segundo e homônimo disco do trio de Bristol no ano que vem, mais exatamente em setembro quando ele irá completar 20 anos. Mas hoje no fim da tarde sob um imenso céu azul e envolto por um frio congelante resolvi escutá-lo a caminho do trabalho, porque precisava de um narcótico forte e este álbum definitivamente o é.

Se Dummy apresentou ao mundo o Portishead e sua versão violentamente melancólica do trip-hop – que nasceu alguns anos antes moldado nas vibrações do dub – e ajudou a popularizar definitivamente o gênero, três anos depois Beth Gibbons, Geoff Barrow e Adrian Utley mergulharam ainda mais fundo no mar escuro que encerra seu debute para criar um trabalho sombrio que segue do início ao fim como um filme noir cujo protagonista sofre de depressão crônica.

Melodicamente Portishead é tão rico quanto seu antecessor, mantendo o hibridismo entre eletrônico e orgânico, beats e jazz, cabaré e clube, mas aos meus ouvidos soa mais mecânico, minimalista, lento e claustrofóbico, sufocante. Isso, claro, é como ele é para mim, o que numa visão geral sobre o tamanho do universo e tudo mais pode não significar absolutamente porra nenhuma para você.

O importante, o que realmente deve ter significado, é ouvir este álbum e sentí-lo engolindo sua alma, pedaço por pedaço, para depois devolvê-la ao mundo mais gelada, sombria e perturbada. Extremamente perturbada.

Essencial!

 

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