Ummagma – Ummagma/Antigravity (2012)

Histórias de amor e música acontecem na vida e não só nos filmes e peças de teatro (da Sutil, diga-se). A canadense Shauna McLarnon e o ucraniano Alexander Kretov são o exemplo vivo, apaixonado e musical de que coisas bobas como distância (+/- 8.000 Km) e linguagem (você já tentou aprender russo?) nada significam quando o coração está à frente.

Juntos no amor e na música desde 2003, Shauna e Alexx – que se conheceram num concerto – começaram o Ummagma após se casarem e terem uma filha, e em julho último o casal decidiu debutar não com um, mas com dois discos cheios. Com vocês, senhoras e senhores, Ummagma e Antigravity.

Numa definição rasteira, tanto um quanto o outro álbum podem ser (e geralmente são) enquadrados no universo borrado do dream pop, mas uma audição minuciosa revela mais, muito mais.

A música criada por Alexx e Shauna (ele responsável por toda a instrumentação e produção, ela pelos vocais, ambos pelas composições) é repleta de referências.

Em sua página oficial no Facebook citam como ‘bandas que gostamos’ nomes que vão de Smiths a Boards of Canada, de Cocteau Twins a Radiohead, e essa ampla paleta revela as cores presentes em seus dois discos.

Resumidamente, pode-se dizer (como bem assinalou o Fernando no Floga-se) que Ummagma é mais upbeat, quente, físico – e pra mim tem muito das viagens do Yo La Tengo menos barulhento; enquanto Antigravity é mais melancólico, frio e sonhador.

Mas a história de um dos discos não desmente a do outro, em nenhum momento. Os vários caminhos escolhidos pela dupla/casal na hora de compor se entrelaçam em Ummagma e Antigravity, desde as pulsações em forma de beats – ora discretos, ora expostos – até as (inconstantes) distorções; das flutuações sintéticas em camadas aos doces vocais de Shauna/introspectivos de Alexx.

Há muita sensibilidade nos dois trabalhos, e – obviamente – muito amor envolvido no projeto. Só por essa combinação o Ummagma já merece uma atenção especial, mas, ouvindo-os, aí sim é possível sentir as vibrações que os cercam e à sua música.

Poucas pessoas dedicariam um álbum ‘ao mundo, cujas cores são tão lindas na alegria, ao mar, aos corações apaixonados e às almas sensíveis’. Sentiu o clima?

Altamente recomendados!

3 comentários sobre “Ummagma – Ummagma/Antigravity (2012)

  1. Gostei, quando escutei a primeira coisa que pensei foi, um Blonde Redhead mais eletronico, comparações a parte pra quem gosta de curtir musica de modo sensorial ambos os albums são um prato cheio com a voz etérea da vocalista.

  2. Pingback: Ummagma – Lama Remixes (2014) | PEQUENOS CLÁSSICOS PERDIDOS

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