Disappears – Pre Language (2012)

É no mínimo instigante o caminho que o Disappears vem trilhando desde que surgiu, lá pela metade dos anos 2000.

A banda de Chicago vem ao longo destes poucos anos gravando e lançando – prolificamente – álbuns absurdos, todos conduzidos pela força das guitarras, mas fluindo em diferentes direções.

Se em 2010 Lux, o primeiro destes discos, apontava nitidamente para o noise à Sonic Youth circa Daydream nation, o segundo – Guider, do ano passado – desceu em direção aos sujos e psicodélicos porões dos anos 70, trazendo kraut rock e Velvet Underground para 2011.

‘Degustação’ de faixas dos primeiros álbuns

Nessa desorientação sonora que é a discografia da banda pode-se colocar agora mais um ponto de desequilíbrio, com o lançamento de seu mais recente trabalho, Pre language.

Agora com Steve Sheley (sim, do Sonic Youth) oficialmente na bateria, o Disappears mergulhou fundo no pós-punk para compor Pre language, que foi gravado nos estúdios Echo Canion West (do SY) com mixagem de John Congleton e saiu ontem (28/02) pela mesma Kranky Records dos discos anteriores.

Ouvir este álbum e falar que há nele uma enorme influência do The Fall é quase redundante. Mark E. Smith, ou pelo menos sua voz, parece ter tomado conta do corpo de Brian Case, numa simbiose sinistra.

Além disso, a energia visceral característica não só do Fall como de outros pós-punks pontua Pre language do começo (com “Replicate” e seus riffs à Joy Division) ao fim, bem como uma cozinha rígida, seca e muscular – também marca d’água do gênero.

Há transes como os de Guider (nas ótimas “Minor patterns”, “All gone white” e “Joa”, especialmente), com longas repetições monocórdicas e distorções vocais; há ecos do Sonic Youth flutuando entre as faixas, em dissonâncias e barulhos; há shoegaze, sempre. Mas a essência do álbum é inegavelmente pós-punk.

E essa essência – que já permeava os discos anteriores do Disappears – se une às outras essências da banda, moldando-se nelas para criar-lhe mais uma face, o que provavelmente atrairá novos olhares sobre eles, que certamente darão vazão à outra essência no próximo álbum, e assim por diante.

O caminho de várias trilhas, que para muitos parece acidentado, para o Disappears parece perfeitamente normal. Assim como o The Horrors – mas em outra estrada – a banda vem conseguindo diversificar sua sonoridade sem perder o ‘self’.

E Pre language é outra prova de que os caras têm o tal do borogodó. Um dos discos do ano!

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