Domenico Lancelotti – Cine Privê (2011)

Primeiro veio o Mulheres Q Dizem Sim, e lá se vão 20 anos. Depois, já nos anos 2000, Orquestra Imperial, participações em álbuns de diversos artistas (Caê e Adriana Calcanhotto, pra citar dois), e entre uma coisa e outra – ou antes de ambas, na verdade – Domenico Lancelotti, ou simplesmente Domenico, gravou em parceria com Moreno Veloso e Kassin (no projeto +2) um dos discos mais instigantes da música brasileira moderna, Sincerely hot (de 2003).

E eis que agora, oito anos depois, o carioca sai novamente de trás da bateria para lançar pela Coqueiro Verde seu primeiro álbum solo, Cine privê.

Inspirado no universo do cinema e das imagens de uma maneira geral, Cine privê é menos experimental que Sincerely hot, mas ainda assim não pode ser considerado um disco pop, de música brasileira comum feita para agradar a todos.

Mesmo em faixas que a princípio soam básicas, como “Fortaleza” – que conta com a participação de Money Mark tocando escaleta – de repente as coisas desandam, entortam, mais ou menos como em “Panis et circenses” dos Mutantes. Aliás a psicodelia e o experimentalismo gravitam em torno Cine privê, volta e meia se tornando mais nítidos (ouça “Pedra e areia” e comprove).

Outras paisagens musicais são vislumbradas no álbum. Ritmos brasileiros como o samba (a instrumental “Hugo carvana”) e a bossa nova (“Os pinguinhos”, com uma percussão fantástica) chegam desconstruídos, diluídos em sintetizadores e outros bricabraques eletrônicos (e orgânicos) que remetem ao pós rock. Stereolab encontra João Gilberto? “Cine privê” e “Sua beleza” atestam.

Cine privê foi produzido pelo próprio Domenico, mas teve várias participações desde sua concepção até o resultado final. Foi co-produzido por Moreno Veloso, que também tocou ao lado de Adriana Calcanhotto, Pedro Sá e Alberto Continentino em “Pedra e areia”; a parceria com Jorge Mautner em “Receita”; a mixagem de Mario Caldato Jr, que trouxe também o já citado Money Mark; o trombonista Marlon Sette; a dupla de percussionistas Onfilmore, enfim, um disco (solo) repleto de presenças ilustres.

A safra da música brasileira 2011 ganha com Cine privê um sabor especial, para agradar paladares exigentes e figurar nas rodas de quem aprecia temperos musicais diferentes. E Domenico, que já havia mostrado a que veio oito anos atrás, se afirma como um dos grandes nomes da nova música brasileira universal.

Recomendado!

Um comentário sobre “Domenico Lancelotti – Cine Privê (2011)

  1. Pingback: P.C.P Entrevista – Domenico Lancelotti « Pequenos Clássicos Perdidos

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