Alternative TV – The Image Has Cracked (1978)

 

Era uma vez um sujeito que editava um pequeno fanzine sobre uma cena musical recém-nascida chamada punk. Com o tempo, o pequeno fanzine tornou-se um grande fanzine, tipo o mais foda de todos, mas o tal sujeito que editava o zine cansou de escrever sobre outros sujeitos, e decidiu que queria ele mesmo estar em sua publicação. Resumidamente e de modo bem grosseiro, assim nascia uma das bandas mais fora da curva da primeira onda punk, o seminal Alternative TV.

Mark Perry formou o ATV ao lado de Alex Fergusson em 76 enquanto ainda era repórter/editor/diagramador/divulgador/faz-tudo no citado Sniffin’ Glue, que morreu para dar vida à sua nova empreitada: acompanhando a última edição do fanzine estava o primeiro single do grupo, “Love lies limp”. Em dezembro do mesmo ano (1977) viria o 7 polegadas “How much longer/You bastards”, ambos os trabalhos completamente inseridos no universo do punk rock (“You bastards” estava entre as favoritas do mestre John Peel). Mas aí Perry ‘demitiu’ Fergusson – que depois fundaria o Psych TV com o maluco Genesis P-Orridge) e com John Towe e Dennis Burns como comparsas pôs no mundo “Life after life”, single que irradiava vibrações jamaicanas e apresentava o ‘novo’ Alternative TV.

Mas o Clash já fazia esse rolê em 77, não? Fazia, claro, mas não tinha Jools Holland emprestando seu sintetizador para a introdução da faixa de abertura de seu primeiro disco (risos), no caso uma versão ao vivo de “Alternatives”, do incendiário The image has cracked, lançado em junho de 78.

Aliás, metade do primeiro álbum do ATV vem da mesma apresentação da banda e retrata bem o que era a mistura explosiva do quase spoken word a Mark E. Smith de Mark Perry aos quatro acordes do punk rock. Ou ao compasso mais lento e cadenciado do pós-punk, tanto faz. A outra metade traz pianos, tchaca-tchaca e experimentações que não são nenhuma coisa, nem outra (alguém defina “Red” ou “The force is blind” – lançada originalmente como single e depois na reedição do disco em CD, de 1994, que você escuta no player abaixo).

Nos anos e trabalhos seguintes Perry e cia. esticariam ainda mais os limites daquilo que entendiam por punk, que fora de padrões musicais ou estéticos, nada mais era que liberdade criativa. Atestando, qualquer dia desses a gente põe na roda Vibing up the senile man, sua segunda alucinação; por hoje o clássico subestimado The image has cracked funciona como porta de entrada – ou reentrada – para o universo do Alternative TV.

SEGURA A TRIP!

 

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