The Brian Jonestown Massacre – Pol Pot’s Pleasure Penthouse (1991)

 

Já contei aqui no PCP a história da primeira fita demo do genial e instável Anton Newcombe, cérebro e tudo mais do (hoje) combo radicado em Berlim Brian Jonestown Massacre, gravada quando o homem se mudou para San Francisco, em 1990, e no final daquele texto relatei que o primeiro disco do BJM só veria a luz do dia em 1995. Meia verdade.

Porque após os cinco anos da gravação da tal demo o que veio ao mundo foi o debute <em>oficial</em> da banda. Mas quem acompanha minimamente a trajetória de Newcombe sabe que seria impossível manter o sujeito quieto por tanto tempo, então voltemos à sequência dos fatos, mais especificamente para o final daquele 1990 em San Fran.

Quando saiu de Newport Beach, Anton já era doido por música. Em sua cidade natal montou uma banda chamada Homeland, ainda nos anos 80, mas a parada não andou, então quando chegou á cidade das ladeiras infinitas o cara queria desesperadamente encontrar outros malucos que acompanhassem suas maluquices em um novo grupo. Mas não rolava. Ninguém acompanhava suas viagens musicais ou o aceitava como músico, então o ‘senhor foda-se’ decidiu montar um estúdio de 4 canais em seu quarto; comprava amplificadores velhos, fazia rolos em outros equipamentos, e enquanto isso se dedicava a aprender a tocar, compor, gravar e a distribuir essas gravações pros amigos. Nessa toada surgiu aquela fita demo citada no primeiro parágrafo…

Bem, quando já havia aprendido – segundo suas próprias palavras – os sete acordes que continua usando até hoje, Newcombe gravou 20 canções em mais uma fita, mas desta vez, ‘a’ fita. E assim nascia <em>Pol pot’s pleasure penthouse</em>, o primeiro registro quase oficial do Brian Jonestown Massacre ou “um documento do meu processo de aprendizagem”, mais uma vez citando o próprio Anton.

Se para ele esta é só mais uma das infinitas demos gravadas entre 1990/91 da qual ele não se lembra, para alguns é o real ponto de partida do BJM, o começo da porra toda, o útero que geraria <em>Methodrone</em>, <em>Thanks god for mental illness</em> e tudo que viria depois. Tanto que em 2012 a finada Burger Records relançou <em>Pol pot’s pleasure penthouse</em> (em cassete, vejam só) numa edição limitada com 500 cópias, e em 2017 Mr. Newcombe – o mesmo que um dia desprezou este primogênito – o pôs no mercado pelo seu selo numa versão em vinil duplo, que se encontra pela bagatela (risos) de 100 euros, pouco mais que os 90 cobrados pela fita k7 (mais risos).

Caso você, como eu, sofra de falta de recursos para tal, ouça o álbum logo abaixo (não, não tem no spotifail) e mergulhe no universo psicodélico-distorcido criado pela mente de Anton Newcombe enquanto ele ainda aprendia a transformá-lo em música. Boa viagem!

 

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s