Canções Da Vida: Trophy (Siouxsie And The Banshees / 1980)

 

Impossível me lembrar da primeira vez em que ouvi “Trophy” na vida, mas é certo que foi num buraco escuro e enfumaçado de São Paulo em algum momento do começo da adolescência. E desde então essa música, terceira faixa do terceiro disco da musa Siouxsie e seus Banshees, Kaleidoscope, se tornou parte de mim, algo como uma extensão sombria e surreal da minha alma.

Talvez por sua letra incomum, das primeiras que aprendi em outra língua; talvez pela cadência quase marcial da cozinha de Steven Severin e Budgie com o baixo marcado e aquela caixa de bateria seca e estalada; talvez pela guitarra do mesmo Severin, com riffs entre o punk e o pós-punk que ele ajudou a criar; talvez pela própria Siouxsie, sua voz e tudo que ela é. Mas provavelmente, muito mais que por esses fatores, “Trophy” e eu somos a mesma coisa pelas incontáveis vezes em que nos fundimos nos últimos quase 30 anos.

Entre amores e dores góticos perdidos pelas paredes e banheiros de inferninhos até o repeat eterno no trânsito hoje, foram tantos sorrisos e lágrimas cantando com Susan ao lado das vozes jovens que envelhecem e engrossam que nem os fios grisalhos da minha barba servem como parâmetro para contar. É como dizem: certas coisas nunca mudam. Ainda bem!

Obrigado, Susan!

 

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