Butthole Surfers – Butthole Surfers (1983)

 

Na primeira metade da década de oitenta, enquanto 3/4 do universo se deliciava entre as cores da new wave radiofônica, do pop idem e dos sintetizadores amigáveis filhos bastardos do pós-punk, o outro 1/4 fazia ferver o submundo da música mundo afora.

Na terra do tio sam por exemplo: o futuro furacão Madonna dava as caras com seu primeiro disco, Jacko colhia os frutos de Thriller e o dinheiro corria solto e aos montes na ponta de cima dos charts. Mas lá embaixo, nos subterrâneos, havia criaturas estranhas e barulhentas que mal sabiam um acorde mas estavam pouco se fodendo lixando pra isso; saia a limpeza das canções feitas sob medida para agradar as massas, entrava a sujeira herdada do punk, mas com muito mais ácido na mente. Assim nascia o Butthole Surfers.

Gibby Haynes e Paul Leary formaram a banda no Texas em 81 em meio a cena hardcore local, mas logo estavam à parte daquilo tudo por serem bizarros demais, chapados demais, experimentais demais. A história dos caras se confunde com o surgimento do que ficou conhecido como ‘american underground’, que por sua vez influenciaria diretamente grupos que seriam empacotados pouco tempo depois sob o rótulo grunge.

O primeiro e homônimo EP dos caras, também conhecido como Brown reasons to live e Pee Pee the sailor, saiu em 83 através do selo de Jello Biafra, Alternative Tentacles. O líder dos Kennedys convidou os malucos para abrir pra sua banda e para o T.S.O.L após ver o caos que eram sobre o palco; se tornou fã, e assim pôs os caras em seu cast, com a promessa de que se conseguissem um estúdio para gravar o primeiro disco ele reembolsaria o mesmo após a finalização do álbum. Antes mesmo de pisarem no the Boss, em San Antonio, Haynes socou o recém-contratado Scott Matthews e lá se foram ele, baterista, e seu irmão Quinn, baixista. Contratempos da vida louca…

King Coffey, que está com os Surfers até hoje, foi um dos vários bateras que participaram das sessões de gravação do disquinho. As sete faixas presentes aqui são uma mistura desequilibrada entre o passado hardcore do grupo e o que eles viriam a ser, algo como o lado punk da lisergia ou vice-versa. Também dá pra ouvir em diversos momentos do EP as referências de muita gente foda boa que veio depois, de Mudhoney a Boredoms, de Pissed Jeans a Mr. Bungle.

Com o passar dos anos fritaram os cérebros cada vez mais, até que entre 87 e 88 cravaram dos clássicos do submundo roqueiro, mas isso é conversa pra outro dia. Por hoje a gente fica com essa coisa estranha e barulhenta chamada Butthole surfers. Boa viagem. Ou não.

 

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