Ciccone Youth – The Whitey Album (1988)

 

Há 30 anos não era cool ser fã da Madonna no universo roqueiro. Ao menos não em público. Se hoje até bandas de hardcore e metal regravam canções de Louise, em 1988 o rolê era outro e foi preciso uma banda pioneira pra prestar um tributo à rainha do pop. Um tributo torto e experimental, claro, já que a banda citada é o Sonic Youth. Ou seu pseudônimo, Ciccone Youth.

Para tal homenagem o (ex) quarteto convidou Mike Watt (Minutemen/fIREHOSE) e J Mascis (Dinosaur Jr), mas no frigir dos ovos os dois heróis do submundo norte-americano mal contribuíram para a realização do hoje clássico Whitey album. Aliás, ao apertar o play no disco deve-se sacar que ele é muito mais conceitual que um simples álbum de côveres.

Além de “Burning up” (a participação de Watt) e “Into the groovey”, a única coisa reconhecível aqui em relação à Madonna é a capa, com uma xerox em p&b de uma foto da homenageada. Falando nisso, há um texto na edição de luxo de Daydream nation sobre a fotografia e o álbum: o Sonic Youth enviou cópias do vinil à Warner para que chegasse às mãos de Maddie através de sua irmã, que à época trabalhava no departamento de arte da gravadora. Ela respondeu dizendo que OK, afinal se lembrava deles dos tempos de Danceteria (um clube nova-iorquino que durou de 79 a 86 e foi habitat de gente como Beastie Boys, Nick Cave, Basquiat, Butthole Surfers, Keith Haring e muitos, muitos outros).

Voltando a Whitey album e ao segundo parágrafo: a parada aqui é cheia de samples, baterias eletrônicas, colagens e esquizitices eletrônicas, e tem mais referências à Madonna – e aos anos 80 em geral, vide a versão para “Addicted to love”, de Robert Palmer, escolhida e cantada por Kim Gordon ou o rap “Tuff tippy rap” – que a um tributo à artista em si. Há um diálogo surreal entre Kim e (a artista plástica) Susanne Sasic sobre ser manager do Dinosaur Jr que se tornou a faixa “Two cool rock chicks listening to Neu!” – com a guitarra de J Mascis; enfim, há todo tipo de maluquice que veio à cabeça do SY num período em que eles começavam a romper as barreiras entre o undergound e o mainstream. E a provar que todos amam Madonna.

Essencial!

 

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