Sunny Day Real Estate – Diary (1994)

 

Pensei em fazer um puta texto bacana sobre Diary, o primeiro disco do Sunny Day Real Estate, lançado em 94 pela grande Sub Pop. Rascunhei mentalmente um monte de ideias, ia até fazer fazer uma pesquisa mais a fundo pra reunir material e juntar ao que sei do disco; além desse monte de informações técnicas iria pontuar o texto com observações pessoais inteligentes e bem pesadas. Mas nem sempre as coisas funcionam como a gente planeja, não é?

Porque antes de começar a escrever essas linhas decidi por o álbum pra rodar, começou “Seven” e eu fui engolido por uma gigantesca avalanche de recordações, daí tudo que havia pensado simplesmente evaporou entre o cheiro de vodca barata e incontáveis psicotrópicos, entre air guitar e abraços suados, cabeças e corpos sacudindo e o sabor de noites insanas que ficaram pra trás há mais de 20 anos…momento nostálgico, uma lágrima escorre aqui, com licença.

As duas músicas que abrem Diary fazem parte, por assim dizer, de um imaginário coletivo pra quem viveu a cena de rock dos anos 90. Já ouvi “Seven” e “in circles” em tantas discotecagens e tocadas por tantas bandas diferentes que nem dá pra contar. Engraçado ter me lembrado desse disco hoje, num dia em que tô mais emotivo do que já sou, afinal ele é um dos pilares sobre os quais foi construído o (chamado) emo, que explodiu em algum ponto no final do século passado.

Claro, antes do debute do Sunny Day Real Estate Washington já havia parido a primeira geração emo, encabeçada por Ian MacKaye e seus irmãos mais jovens, mas ali no final dos anos 80 bandas como Nation of Ulysses, Embrace (depois o Fugazi, óbvio) e outras ainda não eram ‘acessíveis’; a veia hardcore era saltada, as emoções afloravam em urros. Quando o SDRE surgiu, juntou um tanto da sonoridade torta do pós-hardcore, diminuiu a visceralidade dos berros, desacelerou o motor e assim criou Diary, a ponte entre os carecas de Washington e as franjas que invadiram a terra anos depois. Mais ou menos um filho do meio.

E como todo filho do meio, se fodeu. Não teve a importância histórica de seus predecessores nem o sucesso comercial dos seus herdeiros. Saiu em 94, quando o grunge era a realidade do rock e clones do Nirvana já pipocavam por todos os lados; do lado ‘alternativo’ havia o Blue album do Weezer, lançado no mesmo mês do mesmo ano (e igualmente importante para o emo E PRA MIM); no velho continente havia o britpop e a cena clubber/raver; etc, etc, etc. Definitivamente não havia espaço no mercado para ele. Mas, óbvio, o mercado que se foda. O que importa, sempre, são as histórias e emoções que envolvem a música e o ser humano.

E aqui há muito, muito amor envolvido ❤

 

2 comentários sobre “Sunny Day Real Estate – Diary (1994)

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