Os Novos Baianos em 1971: dois compactos e muita brisa

Em 1972 os Novos Baianos gravaram definitivamente seu nome no grande livro de história da música universal com o clássico Acabou chorare, considerado por muitos (críticos e ouvintes) como um dos melhores álbuns nacionais de todos os tempo – ou o melhor, segundo alguns outros.

O disco é foda mesmo, não vou ser o cara do contra dizendo o contrário, mas como gosto é que nem cú e cada um tem o seu, posso dizer que minha fase preferida dos doidões-mór da mpb é justamente quando eles ainda não estavam no meio da tal mpb, ao menos não totalmente.

Esta capa aí em cima é de um compacto homônimo lançado pelos Baianos em 1971, entre seu primeiro álbum, o sensacional É ferro na boneca!, de 1970, e o celebrado Acabou chorare.

Como se pode reparar, ainda não há a presença da sempre notável Baby Consuelo; apenas Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão integravam a banda durante as gravações. À época os caras andavam muito mais próximos à psicodelia que a qualquer outra coisa. Não que depois, já de mãos dadas ao samba e tudo mais eles tenham fugido das viagens de ácido, mas aqui a grande influência do trio era o rock.

Neste mesmo ano de 71 receberiam a visita do ilustríssimo e eterno chato João Gilberto, que entre um baseado e outro trataria de apresentar outras trips musicais aos Baianos. Mas por enquanto ouça este compacto e entenda por onde estava a cabeça dos meninos.

Contrariando a famosa preguiça baiana, o quarteto – sim, Baby já fazia parte da banda, só não participou do compacto acima – resolveu tirar de sua cartola mais um disquinho antes da chegada de 1972.

Nascia então Novos Bahianos + Baby Consuelo no final do juízo, ou simplesmente No final do juízo (repare que tanto neste compacto quanto no anterior a banda assinava como Novos Bahianos). Agora já com Baby na capa – além de um jesus meio sinistrão – o disco ainda traz o grupo mais roqueiro e menos disposto a sambar; Pepeu Gomes já estava no rolê com a trupe (aliás ele era o único músico ‘de verdade’), mas sua cara ainda não aparecia por ali, mesmo com seu nome constando nos créditos das faixas. Liga só:

600

Como já disse, a parada aqui é bem bicho grilo roqueiro. “Dê um rolê”, que abre o compacto duplo numa pegada meio Jethro Tull ou o por aí fala melhor que eu, com a letra ‘Eu sou amor, eu sou amor, eu sou amor da cabeça aos pés. E só tô beijando o rosto de quem dá valor
pra quem vale mais o gosto do que cem mil réis’.

Já “Caminho de Pedro” tem aquele groove mais sambista, um embrião do que se tornariam nos anos seguintes. Ah, só pra constar antes de dar um fim neste texto, Tulipa Ruiz sempre toca “Você me dá um disco” nos shows da turnê do Dancê, seu último álbum.

Enfim, pra não enrolar demais lembro que esses dois disquinhos foram relançados recentemente, pra mostrar à molecada metida a hippie quem eram os pés sujos originais. Em 71 os baianos eram novos, doidões e roqueiros, e assim que é bom.

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