Smashing Pumpkins – Siamese Dream (1993)

 

Os Smashing Pumpkins são o tipo de banda que você ama ou odeia. Raramente há um meio termo. Desde que surgiu no final dos anos 80 o grupo liderado por Billy Corgan encontrou um caminho próprio, povoado por fãs fiéis e detratores na mesma medida.

Mas poucas bandas de rock alternativo têm uma vida tão longa e, apesar de todos os percalços (drogas, depressão, brigas, separações, etc) Corgan e os Pumpkins permanecem como rochas no cenário indie em pleno 2013 (o último álbum é Oceania, de 2012).

Em 1991, Corgan (guitarra, voz), James Iha (guitarra), Darcy Wretzky (baixo) e Jimmy Chamberlin (bateria) lançaram pela Virgin o primeiro álbum dos Smashing Pumpkins, Gish. Menos punk que os demais discos dessa safra (Nevermind do Nirvana, por exemplo) e com influências de heavy metal, psicodelia e dream pop, Gish serviu como porta de entrada para o labirinto que é a mente de Billy Corgan e colocou a banda de Chicago como a bola da vez na mídia musical da época.

Mas como a trilha dos Smashing Pumpkins passa necessariamente por declives, durante a turnê de Gish a banda se desintegrou: Iha e Darcy, amantes, se separaram; Chamberlin, que já era usuário de drogas, afundou no vício e Corgan mergulhou na depressão, de onde só saiu às custas de muito trabalho. Trabalho este que resultou em Siamese Dream.

 

Os Pumpkins, circa 91

 

Siamese Dream foi lançado em julho de 1993 pela Virgin e só existe graças ao esforço e à persistência de Billy Corgan. Fã declarado do My Bloody Valentine, ele arregaçou as mangas, superou o bloqueio criativo e compôs praticamente sozinho as faixas do disco, que acabou levando os Smashing Pumpkins ao auge da carreira.

Durante as gravações do álbum a banda se mudou para a Geórgia, tentando driblar o vício de Chamberlin – o que não funcionou, já que ele rapidamente conseguiu outros canais e não raramente desaparecia. Contaram novamente com a força do produtor Butch Vig, fizeram sessões de terapia, e cumpriram uma média de 16 horas diárias dia nos estúdios Triclops Sound. Era uma aposta alta, agora ou nunca. Para alegria dos muitos fãs, Siamese Dream marcou a primeira ressurreição dos Pumpkins e por algum tempo colocou o quarteto como grande nome da era pós-Nevermind.

Mas enquanto entusiastas comemoravam o lançamento e o sucesso do disco, outros nem tão chegados à banda atiravam as primeiras pedras: Stephen Malkmus (Pavement) e Bob Mould (Husker Dü e Sugar) disseram, respectivamente, “desprezar o status deles” e que “eles são os Monkees do grunge”; Steve Albini, outra figura carimbada do universo roqueiro disse que “eles foram criados por e para o mainstream”.

Rusgas à parte, Siamese Dream estreou em décimo lugar na lista da Billboard e vendeu 4 milhões de cópias somente nos EUA. A produção de Butch Vig já se faz sentir na abertura do álbum. “Cherub rock” e principalmente “Quiet” têm riffs pesados de guitarra, que bebem diretamente da fonte do heavy metal; e por essa influência do rock pesado e sua releitura, os Smashing Pumpkins foram colocados no mesmo caldeirão sem fundo do grunge.

“Today” e “Disarm” são as duas canções de Siamese Dream que levantaram de uma vez por todas a bola dos Pumpkins. A primeira carrega em si a fórmula de Billy Corgan na hora de compôr (introdução melódica + peso no refrão), e rendeu uma bagatela: os direitos da música foram vendidos à Visa, e com o dinheiro da venda ele construiu um estúdio particular; a segunda teve um dos clipes de maior rotação na MTV, tocou – e toca – em rádios de rock mundo afora e para alguns fãs é a melhor faixa da história da banda.

Lembrando os tempos de Gish temos “Soma”, “Spaceboy” e “Luna”, músicas essencialmente acústicas e psicodélicas, enquanto “Geek USA” e “Silverfuck” partem do princípio contrário: abrem pesadíssimas e têm na sua metade momentos lisérgicos.

 

 

Algumas histórias rondam as gravações e o lançamento de Siamese Dream. Reza a lenda que o clima durante as sessões no estúdio ia de mal a pior, e que Billy Corgan (segundo a imprensa musical, um tirano) teria gravado o álbum todo sozinho, com exceção da bateria. Sobre isso, ele disse “97% de tudo que se ouve em um disco dos Smashing Pumpkins é Billy e Jimmy (Chamberlin)”; a música “Range life”, do Pavement, seria uma paródia dos Pumpkins; Darcy teria começado a fumar crack junto com Chamberlin, e por aí vai.

Verdadeiras ou não, essas histórias também ajudaram a colocar Siamese Dream como um dos álbuns mais importantes do rock alternativo dos anos 90, e estender sua influência pelos anos que se seguiram. E isso é fato, goste você ou não.

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4 comentários sobre “Smashing Pumpkins – Siamese Dream (1993)

  1. fui no Hollywood Rock só por causa deles, eu tinha que trabalhar na segunda e o show foi no domingo, aos 17 eu achava que o show deles seria o mais legal, detalhe: depois seria o Cure 😐
    ~adoslecentes~ tsc tsc tsc

  2. Pingback: Vídeo – Smashing Pumpkins Live @ The Metro (14/08/1993) | PEQUENOS CLÁSSICOS PERDIDOS

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