Faith No More – Angel Dust (1992)

 

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Eu tive a chance de ver o Faith No More ao vivo em um momento angular: na ressaca monstruosa de The real thing mas já, de leve, adentrando no bizarro universo Pattoniano criado de Angel dust em diante.

Isso era início dos anos 90, e as experiências do vocalista do FNM com seu então projeto paralelo Mr. Bungle passavam a refletir diretamente em seu ‘trabalho principal’. O resultado, definitivamente, não é mais do mesmo. Angel dust é, por assim dizer, o fim da adolescência para Mike Patton e o Faith No More.

 

 

Se essas transformações não ficam tão à mostra na abertura do álbum com “Land of sunshine” e “Caffeine”, que mesmo já com samples e menos hormônios ainda são basicamente semelhantes ao que a banda fez em The real thing, com “Midlife crisis” e ainda mais na narrativa “RV”, dá pra sentir que o funk metal não interessava mais aos caras. Uma pena, né Warner…

A mesma pegada de “Midlife crisis” se repete em “Everything’s ruined”: riffs pesados, uma linha de baixo cavalar, teclados, vocais sutis e – aí corro o risco de ser achincalhado, um quê de música dançante, que é outra marca de Angel dust.

O puro e simples metal volta à cena com “Malpractice”. Puro e simples? Não, não. Sample do Kronos Quartet; lá pelos 2 minutos e meio uma quebra, um piano quase caixinha de música e, aí sim, de volta ao peso.

 

 

“Kindergarten” é outra faixa mais tranquila, ‘adulta’, mas abre caminho para a chapada “Be agrressive”, que me soa como uma continuação mais natural de The real thing.

“Small and smaller” é outro metal raro, com algo próximo do jazz enfiado entre riffs poderosos, e aí “Small victory” começa, eu abro um sorriso e me lembro que aos 16 anos eu podia dizer que tinha visto uma banda passar por uma metamorfose e ainda assim permanecer perfeita.

“Crack Hitler” e principalmente “Jizzlobber” são pra sacudir a cabeça; a primeira cheia de groove, a segunda pra enxergar o Sabbath que sempre existiu no Faith No More.

Fechando a história, “Midnight cowboy”, cover de John Barry e prova definitiva de que à partir dali as coisas nunca mais seriam como antes.

 

 

E ainda há quem ache que o tal new metal surgiu nos anos 2000…

Essencial!

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5 comentários sobre “Faith No More – Angel Dust (1992)

  1. Eu nunca tinha associado o sampler de “Malpratice” com o Kronos Quartet. Vivendo e aprendendo. ..
    Acredita que eu só consegui vê-los ao vivo no SWU?
    Mas toda vez que eu ouço FNM só penso em uma coisa: Ok, Mike Patton é o cara. Jim Martin é/era um puta guitarrista, mas o que seria do FNM sem o Bill Gould?

  2. Rapái, que disco. Tem que tomar fôlego e mergulhar de ouvido nesse álbum. É cerebral mas não cabeçudo, irônico como nunca (colocar um côro infantil pra cantar “seja agressivo!” é coisa de gênio), e não vejo motivo pra achincalhação sobre o Angel Dust ter um tiquinho do que poderíamos chamar de alternative dance (samples e colagens em “Midlife Crisis”, aqueles synths orientalizantes de “A Small Victory”), porque desde “We Care a Lot” e “Epic”, o FNM funciona bem na pista. Pelo menos aqui nas plagas que habito.

    • HAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHHAHA Obrigado pelo ‘moleque de 20 anos’, mas se vc tivesse lido o texto saberia que eu os vi ao vivo bem no comecinho dos anos 90. agora faça as contas.
      quanto ao new metal, não me referia ao que rotularam como new metal nos anos 2000, e sim ao ‘metal novo’, que bandas como o fnm, bungle, helmet e vários outros puseram em prática nos anos 90. isso sim eu chamo de new metal.
      passar bem.

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