Fruto da geração dos excessos, o Dandy Warhols surgiu em Portland ali pela metade dos anos 90 com um pé na psicodelia, outro no barulho; uma mão na guitarra e outra em todas as drogas imagináveis.

Causaram um certo frisson no período entre seu nascimento e o limiar dos anos 2000 (“Not if you were the last junkie on earth”, “Bohemian like you”, etc), mas depois se tornaram algo próximo a um objeto de culto de fãs espalhados pelo mundo (em especial na Europa), e com a infestação de indies na rede acabaram meio esquecidos. Mas nunca pararam de lançar discos e fazer shows regulares.

Três anos após seu último trabalho, a banda está de volta ao mercado com This machine, seu nono álbum, lançado no último dia 24 pelo selo The End.

O disco foi produzido pelo próprio grupo e por Jeremy Sherrer, mixado por Tchad Blake (o mesmo de El camino, do Black Keys), e traz participações de Miles Zuniga (Fastball) e David J (Bauhaus/Love and Rockets).

O resultado? This machine é bem coeso, e, por falta de uma palavra melhor, me soa adulto. E sério, ao contrário de tudo que fizeram antes.

De uma forma geral, aqui a propalada influência do Velvet Underground (que sinceramente nunca achei tão evidente) parece ter evanescido. Um clima mais pós-punk acinzenta parte das 11 faixas, e se não lhes dá o tom, as permeia em vários momentos – nitidamente em “Sad vacation” e “Alternative power to the people” (com o interessante vocal ‘giletado’ de Courtney Taylor-Taylor, que em muitas das outras tracks é bem mais discreto que o normal).

Há experimentos mais ousados, como o a etérea “Don’t shoot she cried”; a presença do dub (!) em “Well they’re gone” e a sensacional cover de “16 tons”, de Tennessee Ernie Ford (conhecida aqui no Brasil com o vozeirão de Noriel Vilela como “16 toneladas’), com uma pegada entre Morphine e Tom Waits.

E quando musicalmente o Dandy Warhols é o ‘bom e velho’ Dandy Warhols, as coisas fluem bem e sem sobressaltos. “Enjoy yourself”, com cara de Stooges; “Rest your head” e “Slide”, remetendo à influência do Ride; “I Am free”; “SETI vs. the wow! Signal” e a preferida da casa “The autumn carnival” são ótimas faixas movidas à quatro acordes, com baixo pulsante fazendo par à uma bateria forte, numa cozinha linear, básica e funcional.

Resumindo a história, This machine é um álbum menos sarcástico, irônico e irreverente que seus antecessores, embora guarde sim uma dose de cinismo (“I owe my soul to the company store…”, diz a letra de “16 tons”). É também um trabalho mais soturno e nada viajante, até certo ponto introspectivo – vide os vocais de Taylor-Taylor – e bem melancólico. Melancólico, não deprimido, vejam bem a diferença.

Se isso significa um crescimento, só o tempo e os próximos capítulos da história do Dandy Warhols irão dizer, mas que tudo indica uma nova direção, não há dúvidas. Tanto nas letras quanto na construção das músicas o grupo de Portland deixa claro que o tempo passou e os dias de farra insana ficaram para trás. E talvez por saber bem como é isso, achei este o melhor trabalho na carreira da banda.

Afinal, se tornar adulto é um processo doloroso, mas não é tão ruim quanto se pensa aos 18 anos.

Recomendado!


4 respostas a “The Dandy Warhols – This Machine (2012)”

  1. Herb

    Gosto muito! They´re back!

  2. Victor Alves – Santa Rosa – RS

    Muito boa a sua analise sobre o novo trabalho do DW…Enjoy Yourself beeem radiofônica, e no video de Sad…se o final fosse no Rio, dava até cadeia…:)

  3. discasso, o baixão pulsante em Sad Vacation já vale o disco… achei o melhor da banda DEPOIS do 13 tales mode toda a inspiração de banda iniciante que ele possui, mas é de fato o mais coeso

  4. walter

    Faço minha , tuas palavras !! O meu cd (o-ri-gi-nal) é claro, já tá encomendado numa das boas lojinhas aqui de Belô. Discaço !! Já pra listinha de fim de ano!!!

Deixe um comentário