Claro Intelecto – Reform Club (2012)

Lembro-me bem da primeira vez em que ouvi algo de Mark Stewart sob a alcunha Claro Intelecto: foi ali na metade dos anos 2000, com seu primeiro álbum cheio, Neurofibro, de 2004. Me impressionou bastante a qualidade das faixas desse produtor de Manchester, com uma mistura bem dosada entre electro-techno e algo da IDM de selos como Warp e Rephlex; feitas pra dançar mas com o tal ‘algo mais’ que faz toda a diferença.

Metanarrative, lançado em 2008, veio para confirmar Stewart como um nome a ser notado. O disco seguia a mesma linha de seu antecessor, com batidas fraturadas e recheadas de elementos para sair do lugar comum do electro-techno arrasa-quarteirão de gente como Vitalic, nome mais aclamado desse sub-gênero (e imbatível quando o assunto é fritar corpos).

Pois agora, 4 anos após Metanarrative, o Claro Intelecto retorna com um novo álbum, por um novo selo (Delsin Records) e – para minha grata surpresa – uma nova direção. Senhoras e senhores, com vocês Reform club.

O título do álbum não poderia ser mais sugestivo. Nas 09 faixas de seu novo trabalho, Stewart literalmente fez uma reforma em seu clube.

Manteve os contornos ricos e repletos de diferentes tonalidades, mas mudou completamente o traço e criou um disco onde o peso seco do electro-techno cedeu espaço para a leveza hipnótica da house music.

Esse feeling de Reform club vem todo submerso nas águas profundas do dub, com graves fortes e diversas flutuações de sintetizadores preenchendo com efeitos melodicamente sombrios os espaços entre suas batidas (sucu)lentas (pense entre 90 e 120 BPM).

Essa mistura entre baixa velocidade, clima sombrio e estruturas viajantes que compõem (basicamente) este novo álbum de Mark Stewart o põe fora das rodas frenéticas e quimicamente eufóricas do grosso das produções eletrônicas dançantes; mas também não o encaixa nos moldes da deep house sensual e/ou ensolarada – baseada em grooves da disco music – e nem na pegada com vocais dos ótimos High Places e GusGus, por exemplo.

Isso prova que Stewart não se se apega a fórmulas ou padrões na hora de pensar e produzir sua música. E que seja qual for o caminho do Claro Intelecto, ele é trilhado com inteligência e originalidade.

Recomendo!

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Um comentário sobre “Claro Intelecto – Reform Club (2012)

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