Xiu Xiu – Always (2012)

James Stewart está de volta com seu Xiu Xiu dois anos após o elogiado Dear god, I hate myself, até então o trabalho de maior alcance da banda californiana.

Always, oitavo álbum do grupo, sai em 06 de março e é seu primeiro trabalho pela Polyvinyl Records (lar de gente como Vivian Girls e Deerhoof – que tem uma ligação direta com o Xiu Xiu e seu novo disco).

A tal ligação entre o Deerhoof e o Xiu Xiu se deu lá no começo dos anos 2000, quando gravaram um split e dividiram os palcos. E Always, bem como seu predecessor, foi produzido por Greg Saunier – um dos fundadores do Deerhoof – que colaborou também nos vocais do disco.

Dadas as devidas explicações, vamos ao álbum em si. Always marca as comemorações pelos dez anos da banda, e foi concebido como um presente para seus devotados fãs (todas as versões vêm com 2 botons, e os vinis vêm acompanhados também de um pôster com as tatuagens da banda).

Musicalmente, o disco mantém o Xiu Xiu no terreno em que construíram suas fundações ao longo destes dez anos. Sintetizadores e influências oitentistas (pós-punk, synth pop) encontram pelo caminho fragmentos do kraut rock e do experimentalismo do pós-rock para criar uma música exótica – bem como a voz de Stewart -, igualmente dançante e cabeçuda.

“Hi” abre o álbum e dá a tônica para suas primeiras faixas (pelo menos até “Honey suckle”), com bases eletrônicas próximas ao que seria dance music na visão de Stewart e cia; na outra ponta da corda, tracks experimentais como “The oldness” e “Factory girls”; parelha ao Suicide em “Gul mudin”, à eletrônica violenta dos anos 90 em “Born to suffer” ou fazendo reverência direta ao pós-punk em “Smear the queen”.

Completando o pacote, as letras (sempre provocativas) de Stewart (segundo o release) vão ‘de um adolescente afegão morto por esporte por soldados norte americanos (“Gul mudin)’ e ‘a objetificação sexual e a existência desesperada de trabalhadoras imigrantes chinesas (“Factory girls”)’ à ‘dor de uma amiga adolescente muito jovem para estar grávida (“I love abortion”)’.

O resultado geral: Always, como todos os discos anteriores do Xiu Xiu, não é um trabalho de fácil digestão. Suas 12 faixas refletem nitidamente o que a banda vem fazendo desde seu nascimento, e todas essas referências musicais juntas formam um caldo de sabor incomum, e para apreciá-lo é preciso antes se acostumar. Vale uma tentativa.

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