Eugenius – Oomalama (1992)

O Eugenius foi uma daquelas bandas que nasceram no lugar certo mas na hora errada.

 

Eugene Kelly formou o grupo após o final do Vaselines e o batizou como Captain America, mas a Marvel caiu de pau e assim ele renomeou o quarteto, composto então por ele, Gordon Keene (BMX Bandits), Brendan O’Hare (Teenage Fanclub) e o ex-baixista e companheiro de Vaselines James Seenan. Pense comigo: um time desse calibre, sustentado pelo maior fã que alguém poderia desejar à época (Kurt Cobain, que havia declarado o Vaselines como sua banda favorita), apoio da gravadora, enfim, tinha tudo pra decolar. Mas deu ruim. Afinal era começo dos anos 90, e o grunge era o que havia, e tanto Eugene quanto seus conterrâneos estavam a milhares de quilômetros de Seattle e a anos-luz do que era o grunge, suas angústias, auto-destruição e guitarras furiosas.

Ok, Oomalama – primeiro disco do Eugenius lançado em 92 pela Atlantic nos EUA e pela Paperhouse na Europa – tem guitarras altas e tal, mas se colocado próximo à nuvem cinza que encobria seus contemporâneos ianques, é raio de sol e arco-íris (risos); é cerveja, não heroína.

Divagações à parte, a estreia em acetato de Kelly e cia. é, como o grosso da produção escocesa (e em especial da cidade de Glasgow) pós-tsunami punk, indispensável. O álbum reúne os dois EPs lançados sob a alcunha Captain America, e é do segundo deles – Flame on – que vem o único quase-hit de Oomalama, “Buttermilk”. Caso seja essa a única canção do Eugenius que você conhece, além da maravilhosa “Blue above the rooftops” (‘sucesso’ do disco seguinte) ou talvez da cover de “Indian summer” (aka “Stairway to heaven” indie), do Beat Happening, pode se guiar por elas que o caminho deste debute é por aí.

Canções pop ensolaradas movidas à guitarras e melodias assobiáveis, cruzando Beatles e Big Star, Orange Juice e Byrds, exatamente a mesma estrada seguida pelos Fannies, aliás – e também por Pastels, Talulah Gosh, BMX Bandits, Close Lobsters, Primal Scream circa 1987 e tantos outros oriundos ou de alguma forma ligados à C-86.

Dois anos depois o Eugenius lançaria seu canto do cisne e meu favorito, Mary queen of Scots, mas essa conversa fica para um outro dia. Por hora, “Bye bye” rola nos meus fones, então…

 

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