Portastatic – I Hope Your Heart Is Not Brittle (1994)

 

Nesta semana que hoje chega ao fim, enquanto fuçava em uma pilha de CDRs perdidos em meio ao caos que são esses objetos não identificados – ao menos não com capinhas, como costumava fazer na época em que a internet era tudo mato, circa Napster e afins – resolvi olha um por, porque mesmo sem suas respectivas caixas, todos ao menos levam o nome da banda e do disco.

Em meio a um sem número de coletâneas, trilhas sonoras, ao vivo e etc, havia também diversos álbuns ‘de verdade’, baixados sabe-se lá quando na rede, alguns já furados e outros pouco ouvidos. Entre os já cheios de buracos um me trouxe um bocado de boas recordações, então coloquei-o pra rodar; infelizmente o estado putrefato do CD impediu que o escutasse, mas uma rápida busca na internet corrigiu o problema, e agora divido aqui com vocês o achado: I hope your heart is not brittle, disco de estreia do Portastatic.

Não vou bancar o arrogante (que sou às vezes, eu sei, e peço desculpas) e dizer ‘caso você não saiba quem são’ e blá blá blá, porque ninguém é obrigado a conhecer esse ou aquele artista, e o fato de conhecê-lo não faz de alguém uma merda mais cheirosa. Portastatic é o primeiro projeto solo do grande Mac McCaughan, mais conhecido como o esganiçado vocalista do Superchunk, banda de cabeceira por aqui desde que tenho bandas de cabeceira.

Neste debute, lançado (claro!) pela Merge em fevereiro de 94, Mac fez tudo praticamente só, com exceção aos vocais e baixo de Jennifer Walker em “Naked pilsners” e à voz de Kaye Woodward em “Beer and chocolate bars”. Com o passar dos anos o projeto se tornou uma banda por onde passaram, entre outros, o também membro do Superchunk Jim Wilbur, o irmão de McCaughan, Matthew e mais recentemente Janet Weiss, do Sleater-Kinney. O tempo também trouxe algumas mudanças à sonoridade do Portastatic, que se tornou mais limpa e flertou com o folk e – sim! – com a MPB (há um EP da banda chamado De mel, de melão, com versões de “Baby” e “Não identificado”, da Gal. Mas isso nem é tão estranho, já que quando estiveram por aqui pela segunda vez Mac já havia cantado a bola de seu amor pela música brasileira e sua influência em canções como “Hello hawk”.)

Mas voltando a I hope your heart is not brittle: suas 15 faixas são indie rock cru – com cara de ‘feito em casa’- calcados em riffs simples de guitarra (distorcidos ou não), sem o punch do Superchunk mas com a marca inconfundível dos vocais do Mr. Merge Records. E, porra, como já disse no segundo parágrafo deste texto me trouxe à mente um tanto estragada uma porção generosa de grandes recordações, de uma época mais inocente e barulhenta, bêbada e irresponsável. E isso era tudo que eu queria por hoje.

 

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