Do barulho infernal às melodias assobiáveis, eis o Pavement “antes da fama”

Eu já escrevi aqui sobre Slay tracks, o primeiro EP do Pavement, gravado em apenas 4 horas por 800 doletas e lançado em 1989. Na ocasião prometi colocar na roda os outros dois disquinhos que os heróis do rock lado B gravaram antes de debutar com o maravilhoso Slanted and Enchanted, em 1992.

Como aqui no PCP missão dada é missão cumprida, hoje rodam no blogue os tais EPs. Primeiro Demolition Plot J-7, cuja história resumida você lê logo abaixo:

Após o lançamento de Slay tracks o historiador Stephen Malkmus partiu numa viagem pela Europa, norte da África e Oriente Médio, aparentemente pouco se fodendo para a banda. Enquanto ele estava fora Scott Kannberg – a outra metade do Pavement – cuidava da distribuição do EP, que caiu nas mãos e nas graças de Dan Koretzky, que havia montado um novo selo em Chicago chamado Drag City e convidou Kannberg para integrar seu cast.

Relutante quanto ao futuro, Kannberg (que teria dito algo como ‘não tenho certeza se ainda somos uma banda, Stephen está viajando, etc’) smudou-se para Chicago e com seu amigo Jason Fawkes começou uma nova banda chamada Pa que gravou uma série de demos instrumentais para um possível lançamento pela Drag City. Após voltarem para Sacramento a dupla reencontrou Malkmus, que escreveu a letra para “Forklift” – uma das faixas instrumentais do Pa – e decidiu transformar a coisa toda em um novo disco do Pavement, que assim finalmente seguia em frente experimentando com barulho e baixa fidelidade. Ouça e ateste.

 

 

O EP foi bem recebido pela crítica especializada – leia-se fanzines e pequenas publicações do submundo – e alguns veículos maiores, como o Village Voice, que à época colocou Demolition Plot J-7 entre os melhores EPs do ano e que ele ajudou a moldar a sonoridade pela queal a Drag City se tornaria conhecida.

Com isso o Pavement se estabeleceu no submundo musical dos EUA e ganhou fôlego para as gravações de seu terceiro EP, Perfect Sound Forever.

Lançado pela Drag City em abril de 1991, Perfect Sound Forever é o passo definitivo do Pavement em direção ao que eles se tornariam no decorrer da década, uma mistura extremamente balanceada entre barulho/baixa fidelidade e melodias assobiáveis que se apresentaria ao mundo um ano depois com Slanted and Enchanted.

Em suas sete faixas a banda já explora essa fórmula de forma perfeita, equalizando distorções e dissonâncias com harmonias pop. Impossível ouvir “Debris slide” e não pensar em “Trigger Cut/Wounded Kite At: 17” ou “Perfum V”, por exemplo; as sementes do lo-fi que invadiria o rock alternativo dos anos noventa em diante estavam plantadas.

E a história seguiu adiante…

 

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