David Bowie – Station To Station (1976)

Se eu fosse um crítico musical sério ou um jornalista afincado escreveria um PUTA texto sobre Station to station, o décimo disco da carreira do saudoso David Bowie lançado em janeiro de 76, há pouco mais de 40 anos.

Falaria sobre o Thin White Duke, o último dos lendários personagens criados pelo mestre, sempre impecável em sua combinação de camisa branca, calça e colete pretos, um zumbi elegante movido pelo vazio de uma vida sem emoções humanas.

Nesse texto não esqueceria de citar que o disco foi gravado na ressaca do lançamento de “The Man Who Fell to Earth”, filme do diretor Nicolas Roeg que traz o magérrimo Bowie como protagonista na adaptação do livro do até então desconhecido Walter Tevis, e que sua capa apresenta uma cena da mesma película.

Obviamente escreveria a respeito da transição musical presente no álbum. Se Young americans era a tentativa de David em soar como um soulman, aqui ele ‘apenas’ absorve a soul music e a incorpora na mutação pela qual passava – que estaria completa 1 ano depois – e daria origem a trilogia de Berlim, quando partiu com Brian Eno em direção à Alemanha e a um futuro (ainda mais) sombrio, caótico e eletrônico.

Não poderia deixar de fora o fato de que em Station to station o grande Tony Visconti, parceiro de Bowie durante toda sua vida, não esteve presente. Mas que ajudou a montar a banda que o acompanharia por muitos anos, formada pelo baixista George Murray, o baterista Dennis Davis (que já havia tocado em Young americans) e o genial Carlos Alomar, que acompanharia David até Reality, disco de 2003.

Além de tudo isso eu ainda digitaria aqui uma ou duas linhas sobre o monstruoso vício de Bowie em cocaína enquanto morava em Los Angeles e tudo que esse gosto pelo pozinho branco e amargo causaria nele. As incontáveis paranoias que envolviam o ocultismo de Aleister Crowley e outros misticimos, nazismo, inúmeras teorias da conspiração que abraçavam – entre outros – os Rolling Stones, a ojeriza à figura de Jimmy Page, a dieta à base de pimenta e leite e a dormência total que todo viciado em pó conhece bem, aquela sensação de impotência e intolerância em relação ao mundo e à outras pessoas.

Enfim, eu falaria um bocado sobre tudo que rondou Station to station e esse período insano da vida de David Bowie, mas como todos vocês sabem eu não sou de falar muito. Então bora ouvir o disco e entender em seus quase 38 minutos tudo que eu poderia ter dito, ok?

We still miss you, David!

Essencial!

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Um comentário sobre “David Bowie – Station To Station (1976)

  1. Pingback: David Bowie, a soul music e um disco perdido. Ouça “The Gouster”, gravado em 1974 | PEQUENOS CLÁSSICOS PERDIDOS

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