David Byrne & St. Vincent – Love This Giant (2012)

Por Gabriel Leite (Música Pra Ler)

David Byrne. Ícone da cultura pop, antigo líder do extinto Talking Heads, multi-instrumentista, radialista, pesquisador musical, excêntrico, inquieto. Um artista, no sentido mais literal do substantivo.

Annie Clark. Guitarrista de mão cheia, originária do Texas, completamente avessa aos estereótipos reacionários do estado sulista. Rosto relativamente novo, ela começou sua carreira sob o pseudônimo de St. Vincent em 2007 e desde então se estabeleceu como um dos nomes mais promissores do circuito alternativo. Uma artista, também.

Em 2009 seus caminhos se cruzaram e o que era pra ser uma única apresentação ao vivo evoluiu para uma colaboração mais profunda. A partir daí, o veterano e a novata trocaram composições suficientes para encher um disco.

Love This Giant saiu em 2012 pela lendária 4AD e pela Todo Mundo, selo do próprio Byrne. A peculiar capa com os rostos deformados da dupla nos encarando nasceu do conceito de A Bela e a Fera ao contrário: David, a Fera, com uma covinha galante contrastando com os cabelos brancos; Annie, a Bela, com uma protuberância bizarra em suas feições delicadas. Nada inesperado em se tratando de duas pessoas fora do padrão.

Colaborações desse tipo precisam de algo a mais para não se assemelharem demais ao trabalho solo dos envolvidos. No caso de Love This Giant, isso foi prevenido com a adição de um time de metais à parafernália tecnológica utilizada brilhantemente pelos dois. O resultado: grooves tão deformados quanto as faces da capa.

Produzido por Clark e Byrne junto ao renomado John Congleton (Swans, Franz Ferdinad, Sigur Rós, entre outros), o álbum destila uma deliciosa elegância em meio aos andamentos intrincados, em grande parte devido ao altíssimo nível dos metais. São doze faixas esquisitas e totalmente dançantes, reflexo da distinta sensibilidade pop de ambos.

Liricamente, Love This Giant aborda temas como a modernidade gerando alienação, relacionamentos destrutivos, a força da natureza e a fragilidade humana, todos comuns às obras de David e Annie. Nesse aspecto, destaca-se a empolgante “I Should Watch TV” e sua crítica ao papel de integração social atribuído quase em totalidade à mídia e a estéril massificação resultante disso.

A dupla excursionou durante 2012 e 2013 fazendo shows recheados de coreografias robóticas e versões de clássicos do Talking Heads e singles da St. Vincent. Depois cada um seguiu seu caminho levando os frutos colhidos: David foi capaz de renovar sua relevância e Annie absorveu novas influências para sua ascendente carreira. Vantajoso para eles e excelente para nós, os movidos à música.

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