De Leve – O Estilo Foda-se (2003)

Lembro de ter entrevistado o rapper carioca De Leve pouco tempo após ele ter lançado seu primeiro disco cheio, O estilo foda-se, esse mesmo que você ouve aqui no PCP agora.

Eu já tinha escutado o biscoito, então sabia qual era a do cara. Longe anos-luz do hip-hop ‘gangsta’ ou o que o valha, Ramon era na época (e ainda é, a julgar pelo álbum que lançou no passado) justamente o oposto disso. Sem cordões de ouro, carrões, crack ou mulheres, ele andava por Niterói de chinelo e meias, com cabelo moicano e ouvindo música eletrônica.

A conversa que tive com ele foi divertida e seguiu por esse caminho, falando dos superstars do gueto e seu ‘faça o que eu falo mas não faça o que eu faço’, sobre a raiva dos rappers pela citada música eletrônica, sobre a música popular brasileira, enfim, sobre tudo que ele ataca – com sarcasmo e ironia – no seu disco.

Muitos descem a lenha em O estilo foda-se por ele não trazer mensagens politizadas nem mostrar a realidade da quebrada, mas De Leve não é – e não nega isso – um moleque da periferia. Canta o que vê, aponta suas rimas para o que o incomoda; era assim nos tempos de Quinto Andar, é assim cantando sozinho (sobre as bases do DJ Castro, é bom dizer).

Enfim, as letras podem chocar e/ou ofender alguns, mas o estilo é foda-se. E em meio a todos os sarros, o cara enfia a frase ‘Lendo um livro por mês sua inteligência ninguém rapta…’. Pois é.

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