Quando recebi e li o email falando sobre Pode ser que daqui a algum tempo eu tenha 30, novo disco dos mineiros da banda Aldan, automaticamente me interessei pelo seu tema: os muitos conflitos do envelhecimento tratados sem a chatice analítica de um divã, de forma sarcástica. Pra aumentar meu interesse, o release falava de uma ruptura com o padrão mais quadrado do rock e a inserção de elementos eletrônicos e outras diferentes experimentações com colagens, sintetizadores, etc. Beleza!
E aí vi a capa do disco! E porra, impossível olhar essa foto e não mijar nas calças…mas enfim, voltemos ao disco.
Em Pode ser que daqui a algum tempo eu tenha 30 o quinteto de Belo Horizonte realmente flerta bastante com a eletrônica, às vezes sutilmente e outras de uma forma mais escancarada, como em “Portão eletrônico” e “Capote”.
As letras são irônicas, provocativas e bem humoradas na medida certa. Um exemplo? A faixa de abertura, “Rogério Ceni” (sim, o goleiro do São Paulo FC) cutuca a cena musical belorizontina e suas eternas montanhas, e lembra outra banda mineira, a Lupe de Lupe – por sinal uma das diferentes influências do Aldan na hora de escrever o álbum, que vão de OFF! e James Blake.
Pode ser que daqui a algum tempo eu tenha 30 é o Aldan cansado dos limites (auto-impostos) do rock, e prova que sair da zona de conforto e quebrar padrões é o sempre o caminho mais interessante. nem sempre o mais fácil, mas sempre o melhor.


