Japanther – Rock N’ Roll Ice Cream (2010)

Nova Iorque sempre foi um caldeirão de cultura underground. Desde os anos 60 com a Factory, a grande maçã vem servindo como palco para diversas manifestações artísticas onde os outsiders encontram seu lugar: punk, art rock, no wave, disco, experimentalismos, hip hop, eletrônica…e a mistura de tudo isso, é claro.

De alguns anos pra cá, a revitalização do Brooklyn transformou o antigo bairro barra pesada no epicentro cultural da cidade, e como resultado grupos bacanas – e outros nem tanto – começaram a pipocar por seus vários espaços dedicados à música. É nesse contexto que surge o Japanther.

Formada em 2001 pelos ex-estudantes de arte Ian Vanek (bateria, eletro-eletrônicos, vocais) e Matt Reily (baixo, teclado, vocais), a banda (ou projeto de arte, como eles se definem) é fruto desse ambiente onde o do it yourself do punk parece ser regra tanto na música quanto nas outras artes.

Desde que surgiu o duo é prolífico quando o assunto é compor, gravar e lançar discos, sejam eles demos, EPs, singles, albuns cheios ou participações em obras coletivas multimídia. No começo de 2010 soltaram no mundo seu último trabalho, chamado Rock N’ Roll Ice Cream.

O álbum não foge ao que o Japanther vem fazendo ao longo destes dez anos, mas com um acento pop: punk rock + bubblegum + adolescência + experimentações + intervenções eletrônicas + baixa fidelidade. Algo como um híbrido de Ramones, Beach Boys pré-Pet Sounds e Shangri-las do século XXI, contando agora com a presença de Anita Sparrows (The Soviettes) como nova vocalista da ex-dupla, hoje trio. E tanto o tal acento pop quanto a voz de Sparrows fazem diferença.

Rock N’ Roll Ice Cream foi gravado em Los Angeles com a produção de Michael Blum (Madonna, Pink Floyd, MIchael Jackson), que usou sua experiência com artistas multi-platinados para tentar incorporar à anarquia sonora do Japanther alguma orde. É é possível enxergar seu dedo no remix dançante de “One Hundred Dollars” (do disco Skuffed Up My Hufy, de 2007), aqui como “$100 Dollars Remix”; no piano de “Not At War”, nas harmonias vocais ou no desinchaço da veia lo-fi dos novaiorquinos. Some aí o fato de agora a banda contar com uma voz feminina e o resultado poderia ser uma perda de identidade. Mas não é.

Anita Sparrows dá um charme ‘girl group’ a cada uma das várias faixas em que canta, mas não tira delas sua essência. De “She’s The One”, a primeira do álbum,à sua versão acústica “Alone In The Basement”, a última, a garota mostra que tem no sangue o mesmo espírito punk de seus parceiros, assim como o rapper convidado Ninjasonik que canta em “What The Fuck Is The Internet”.

E colagens de gravações em fita cassete continuam aparecendo no início, meio ou fim das músicas; o pé direito do Japanther continua pisando fundo no acelerador; as apresentações ao vivo continuam caóticas; ainda são a trilha sonora perfeita para uma sessão de skate e continuam desconhecidos. Então eles mudaram? Sim, mas não perderam o self. E toda vez que os ouço, continuo lembrando a máxima dos Replicantes: seja punk, mas não seja burro!

Anúncios

Um comentário sobre “Japanther – Rock N’ Roll Ice Cream (2010)

  1. Pingback: Japanther – Beets, Limes And Rice (2011) | PEQUENOS CLÁSSICOS PERDIDOS

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s