
O fim do casamento de 27 anos com Kim Gordon fez com que o já prolífico Thurston Moore mergulhasse ainda mais fundo no trabalho. Enquanto o Sonic Youth – a banda do ex-casal, pra quem vive fora da terra – entrou num hiato indefinido após o divórcio, o guitarrista lançou um surpreendente disco solo e agora, dois anos depois, debuta com sua nova banda, o Chelsea Light Moving.
O disco homônimo de estreia saiu em 05 de março pela Matador, e o grande lance a seu respeito é que mesmo acompanhado de um novo time (Keith Wood, John Moloney e Samara Lubelski – violinista em Demolished thoughts), Moore está preso a dissonâncias e experimentações como Joey Ramone esteve eternamente preso ao ‘one, two, three, four’.
Chelsea light moving, o álbum, pode até apresentar uma ou outra mudança (“Alighted” e sua pegada meio Melvins ou a ótima cover punk dos punks Germs com “Communist eyes”), mas a grosso modo reúne uma porção de fragmentos da carreira do Sonic Youth – incluindo aí as grandes letras de Thurston, repletas de literatura, política, urbanidade e muita inteligência.
Se eu gostei do disco? Adorei, claro, sou fã de carteirinha do SY e um bocado suspeito para falar sobre qualquer trabalho de seus membros (já aconteceu com Lee Ranaldo); além do mais, Chelsea light moving tem ao menos uma faixa indispensável, “Borroughs”, e de uma forma menos truncada é a volta de Moore ao universo barulhento que ajudou a criar. Mas não posso negar que esperava algo além.
E isso é culpa, claro, da história musical do cara.
