Nick Drake – Pink Moon (1972)

Em seus 26 anos de vida, Nick Drake passou longe do estereótipo do roqueiro pé na jaca dos anos 60 e 70, aquele tipo sempre chapado e visto frequentemente cambaleando ao lado de uma beldade.

Introspectivo, de família rica, ligado tanto em literatura quanto em música, de voz tranquila e hábil violonista, Drake pôs em seus três álbuns muito do que anos mais tarde seria combustível para outros tantos artistas, de Belle and Sebastian a Beth Orton, de Elliot Smith a Damien Rice.

Em fevereiro de 1972 ele dava ao mundo aquele que seria seu último álbum, a bola da vez aqui no PCP: Pink moon.

Há diversas histórias sobre a concepção e o lançamento desse disco. Diferente dos dois álbuns anteriores (Five leaves left, de 1969; e Bryter layter, de 1970), Pink moon traz apenas Nick Drake, sua voz, seu violão e toda a melancolia cabível em 11 faixas dividas nos seus 26:30 de duração.

As sessões de gravação – ao lado do produtor Joe Boyd – duraram apenas duas noites. A Island, gravadora responsável pelo músico à época, não queria um novo disco de Drake, que por sua vez insistiu em gravá-lo da forma mais crua e natural possível, aumentando ainda mais o receio do selo de Chris Blackwell. As fitas master de Pink moon foram colocadas pelo próprio Nick no balcão da Island, onde permaneceram por uma semana até serem ‘encontradas’.

Após o lançamento do álbum o cantor apresentava sinais ainda mais claros da depressão que o assolava. Não queria apresentar-se ao vivo e muito menos se envolver com a divulgação do disco; fumava muita maconha, não dormia à noite, e seguindo então o conselho dos pais – com os quais voltou a morar – procurou um psiquiatra, que lhe receitou anti-depressivos.

A medicação no entanto parece não ter surtido o efeito esperado, a julgar pelas palavras do próprio Drake à época: ‘Eu não sinto nenhuma emoção sobre nada. Eu não quero rir nem chorar. Estou dormente; morto por dentro.’

Esse total estado de apatia afastou Nick Drake da música nos anos seguintes. Entre viagens à Europa – ele nasceu na antiga Birmânia, mas cresceu na Inglaterra – e cada vez menos interesse pela vida, amigos ou família, vagou por uma espécie de limbo. Apenas em 1974 retomou o contato com seu antigo produtor, Joe Boyd, dizendo ter novas canções para gravar; mas segundo Boyd, Drake mal conseguia cantar e tocar violão ao mesmo tempo, e o resultado de um dia de trabalho foi frustrante.

Quatro meses depois, após ter levantado à noite para tomar alguns comprimidos, Nick Drake foi dormir, e nunca mais acordou. Foi encontrado pela mãe, morto, no dia 25 de novembro de 1974. A causa oficial da morte: overdose de amitriptilina, o veredito: suicídio.

Certa vez Drake teria dito à sua mãe: ‘Eu falhei em tudo que tentei fazer’. 40 anos depois, toda a tristeza, densidade e verdade de Pink moon permanecem como prova de que essas palavras foram a maior mentira contada por Nick Drake.

Essencial!

Anúncios

2 comentários sobre “Nick Drake – Pink Moon (1972)

  1. Pingback: José González – Vestiges & Claws (2015) | PEQUENOS CLÁSSICOS PERDIDOS

  2. Pingback: Damien Rice – My Favourite Faded Fantasy (2014) | PEQUENOS CLÁSSICOS PERDIDOS

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s