The Afghan Whigs – Congregation (1992)

Congregation foi um momento crucial na carreira do Afghan Whigs, uma espécie de ponte que levaria a banda da sonoridade mais crua e dos ainda discretos flertes com a música negra de Up in it (de 1990) ao escancarado e selvagem relacionamento com a mesma de 1965, último álbum da banda lançado em 1998.

O disco foi lançado em 31 de janeiro de 92 via Sub Pop. A gravadora, que andava mal das pernas à época (pré-Nevermind), deu a Greg Dulli e cia. U$$ 15.000 para gravá-lo, ainda em 1991; com a grana em mãos os caras realizaram as sessões de gravação em Los Angeles e Woodinville, e a produção de Congregation ficou à cargo do próprio Dulli e de Ross Ian Stein. O resultado desse pequeno investimento?

Um disco abrasivo do início ao fim, cheio de drogas, álcool, sexo, prazeres proibidos, culpa, relacões disfuncionais, histórias barra pesada e algumas das melhores e mais marcantes canções dos anos 90. As emoções sempre viscerais do instável compositor Greg Dulli – bem como sua voz, oscilando entre sussurros dramáticos e berros explosivos – e a notável expansão dos horizontes musicais da banda são as peças-chave de Congregation.

As influências de funk, soul, blues e r&b vão surgindo em meio à verve barulhenta do Afghan Whigs na forma de pedais wah wah, slide guitars, compassos irregulares, cozinha pesada e da entrega de Dulli. Não há crossover nas canções do álbum, há uma simbiose entre a música negra dos anos 60/70 e o punch roqueiro dos 90’s.

E Congregation traz, além disso e de tudo que já foi dito sobre ele nos últimos 20 anos, a inebriante “Miles iz dead”, homenagem de Greg Dulli a um de seus ídolos, Miles Davis. A música – incluída como hidden track após as sessões do disco – foi gravada no dia da morte de Miles, e o refrão ‘Don’t forget the alcohol’ vem de uma mensagem deixada na secretária eletrônica de Dulli pelo executivo David Katznelson: ‘Miles is dead. Don’t forget the alcohol’. Pode deixar, a gente não esquece.

Essencial!

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2 comentários sobre “The Afghan Whigs – Congregation (1992)

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