Cat Power – Sun (2012)

Me lembro bem da primeira das duas únicas vezes em que vi Chan Marshall ao vivo, numa tarde bonita em Pinheiros, na zona oeste de SP. Tarde de autógrafos, um pocket show, coisa intimista, sorrisos. E uma impressão: de que a bela precisava de um sacode. Não sei ao certo, mas ela me parecia…estática demais, morna demais, cabeluda demais. Isso foi apenas uma impressão minha, claro.

Não sei nem nunca soube nada da vida da mulher por trás da alcunha Cat Power; o que me interessava – e me interessa – nela é sua música, sempre carregada de emoção, com sua voz única, tímida e forte ao mesmo tempo.

Pois bem, há tempos não lia nem ouvia nada novo sobre Chan, até que um dia desses recebi um email da Matador falando sobre um novo single da então sumida, acompanhado de uma foto dela. De cabelos curtos! Antes mesmo de ouvir “Ruin”, já sabia que as coisas estavam diferentes. Com a chegada de Sun, novo álbum de Cat Power, veio a confirmação: a moça foi realmente sacudida.

O PCP passa longe de esmiuçar a vida dos artistas que por aqui passam, mas é sabido que Chan Marshall foi internada com uma crise de estresse, passou por um bloqueio criativo nos últimos anos, e que recentemente se separou. Se uma coisa está ligada à outra, não sei dizer, mas Sun – a começar pelo título – mostra que os dias de chuva se foram, e junto com eles o estresse, o ex-marido e o tal bloqueio criativo.

O disco – que sai oficialmente em setembro – foi todo composto, gravado e produzido pela própria autora, entre os Estados Unidos e a França. da França, aliás, veio também a colaboração de Philippe Zdar (Cassius), que mixou Sun e que talvez seja, ainda que indiretamente, responsável pela injeção extra de elementos eletrônicos em suas faixas.

Indiretamente porque Chan já vinha utilizando drum machines, sintetizadores e outros bricabraques eletrônicos para compor em seu estúdio em Malibu. Zdar deve ter sido mais um incentivador, gritando em sua orelha: “go, go, go, go, go”…

Além do francês, Iggy Pop também foi convidado a participar de Sun. O iguana aparece fazendo backing vocais em “Nothin but time”, um dos interessantes momentos pop do álbum, carregada de synths espaciais.

Os fãs mais radicais de Marshall irão com certeza estranhar – e talvez refutar – seu novo trabalho. Mas é nítido que este é um ponto de partida para uma nova fase em sua vida e carreira, e recomeços reais trazem consigo mudanças, algumas bruscas, outras – como Sun – nem tanto.

Basta ouvir sua voz e perceber: ela ainda é a mesma. Apenas, segundo suas próprias palavras, renascida. Ou como preferimos por aqui, sacudida.

 

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4 comentários sobre “Cat Power – Sun (2012)

  1. Pingback: Vídeo – Cat Power Live @ Primavera Sound (2008) | PEQUENOS CLÁSSICOS PERDIDOS

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