Tulipa Ruiz – Tudo Tanto (2012)

A síndrome do segundo disco é um mal que assola artistas mundo afora desde que a música se tornou artigo de consumo em forma de álbuns. De roqueiros à pop stars, todos que fizeram uma grande estreia sentem a pressão para repetir o êxito do debute, e muitas vezes essa pressão acaba pondo tudo abaixo.

Tulipa Ruiz faz parte do time que conseguiu suportar e superar essa pressão; ela foi além das expectativas com um trabalho que só não leva 5 estrelas por um detalhe, que eu conto logo mais.

Tudo tanto, lançado no final de julho de forma independente – mas viabilizado com o patrocínio do projeto Natura Musical – sucede Efêmera (de 2010) mostrando ao mundo uma Tulipa mais confessional, complexa e ousada. E sem ser chata, claro.

Sua voz marcante permanece a mesma, bem como a companhia do irmão (e novamente produtor) Gustavo, do pai Luiz e a presença de convidados – como Ilhan Ersahin (do Wax Poetics) e Criolo, entre outros – mas a impressão que o disco passa é de amadurecimento.

Ouvir “Ok” talvez seja a melhor forma de entender esse amadurecimento causado pela tal pressão para se repetir o sucesso: ‘Um jeito que agrade a todos…’, canta Tulipa, que, posso dizer, agradará mesmo a todos. De novo.

Tudo tanto, assim como Efêmera, funciona como um prisma pop, de diversas cores. Vai fazer a cabeça de bastiões e novatos, de indies descolados e mpbistas analíticos, porque – mesmo não sendo mais do mesmo, repetindo a fórmula de seu antecessor – é igualmente irresistível.

Dá pra dançar com “Quando eu achar” e “Expectativa”; pensar na vida com “Cada voz” (e seu ar meio pós rock, meio dub, bem moderno) e também pra passar mal, mas muito mal com o blues rasgado e soulful de “Víbora”, onde Tulipa rompe barreiras vocais, extrapolando limites e remetendo à Gal insana do fim dos 60’s/começo dos 70’s.

Aliás essa época e suas experimentações tropicalistas também surgem em Tudo tanto com arranjos orquestrados, riffs de guitarra cortantes, espasmódicos e – resumindo – na liberdade criativa, tanto nas composições quanto na esmerada produção.

O álbum só não leva 5 estrelas pela presença do insuportável Lulu Santos.

Recomendado!

P.S: Tudo tanto está disponível para download gratuito no site oficial da Tulipa.

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4 comentários sobre “Tulipa Ruiz – Tudo Tanto (2012)

  1. Bela resenha!
    Frequentemente recebo as atualizações daqui,só coisa fina.
    Mas vou esbarrar num ponto.
    Creio eu que a presença do odiado/amado Lulu Santos não faz com que o album desmereça suas 5 estrelas,até porque se formos analisar,a faixa passa longe de ser uma péssima faixa,no meu ponto de vista ficou bacana o dueto,os flertes vocais dos dois encaixam-se perfeitamente.
    Talvez eu entenda sua ira conta o hitmaker e respeite a sua opnião,mas menosprezar uma faixa de boa qualidade como esta só por detestar Lulu Santos acho que não é o caso.
    Enfim,parabéns pelo belo espaço musical tão bem organizado.

    • Oi Anderson. Valeu os elogios 😀
      Ah, o lance com o Lulu santos foi mais pra descontrair e tal. não gosto do cara mesmo, mas a coisa foi mais na brincadeira que na crítica.
      O disco tá perfeito, merece mesmo nota máxima.
      valeu
      abs

      • Não tem de quê Fábio.
        Vc criou um espaço musical maravilhoso.
        Depois irei ver os postes mais antigos,sempre recebo as atualizações via email.
        É muito bom ver materiais da nossa cena postado num blog deste quilate.

        Abraços.

  2. Pingback: Especial – Os Melhores Álbuns Nacionais de 2012 « PEQUENOS CLÁSSICOS PERDIDOS

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