
Uma das bandas mais originais surgidas na Inglaterra nos anos 90, o Tindersticks trouxe para rock independente/alternativo/whatever uma elegância sombria que em muito destoa(va) de seus conterrâneos e contemporâneos, em ambos os casos movidos basicamente à beats e psicodelia ou guitarras barulhentas e roupas rasgadas.
Completando em 2012 vinte anos de uma carreira irretocável, o grupo de Nottingham lança agora em fevereiro seu nono álbum de inéditas, The something rain.
O disco sai dia 21 pelos selos Constellation (nos EUA e Canadá), City Slang (na Europa) e Lucky Dog – que pertence à banda – no Reino Unido.
Das vinte e tantas canções que a banda produziu durante o período de gestação do álbum (maio de 2010 a agosto de 2011), nove saíram do forno na mixagem final – realizada em setembro último – para compor o pacote.
The something rain dá sequência ao excelente Falling down a mountain (de 2010) e ao box com as composições do Tindersticks para as trilhas sonoras dos filmes de Claire Dennis, chamado Claire Denis Film Scores 1996-2009 e lançado em 2011.
Aqui Stuart Staples e cia. (o line up do Tindersticks oscila bastante, especialmente desde 2005, mas conta sempre com um grande número de músicos convidados) cravam mais uma pérola em sua discografia, com canções intimistas e melancólicas.
Os arranjos sofisticados e a verve teatral e dramática dos vocais (sempre cool) de Staples aproximam The something rain – bem como seus oito antecessores – de uma sonoridade jazzística, mais complexa que a média roqueira.
Pianos, metais, xilofone, faixas longas – “Chocolate” abre o disco com 9 minutos – andam ao lado de guitarra, baixo e bateria, criando canções densas e elaboradas, ricas em pequenos detalhes e em grande parte do tempo deliciosamente hipnóticas.
Sem mais, The something rain é o primeiro álbum da lista de melhores do ano.
Essencial!
