The Velvet Underground – White Light White Heat (1968)

Nos anos 60, enquanto o mundo era arrebatado pelo flower power bicho-grilo, celebrando a paz e o amor, andando descalço na grama e achando que tudo poderia ser melhor com um ácido na cabeça, na cidade de Nova Iorque uma banda cagava e andava pra toda essa conversa e expunha em sua música o caos da realidade.

O Velvet Underground – agora longe da sombra de Andy Warhol e da musa de gelo Nico – chegava a seu segundo disco em 1968, no auge do desbunde hippie, e não poderiam estar mais longe da cultura vigente.

White light white heat foi lançado pela Verve um ano após The Velvet Underground & Nico, mas entre os dois discos, musicalmente, há no mínimo alguns anos-luz de distância.

Sem o menor vestígio de música pop em seu DNA, White light white heat é o trabalho mais ousado dos Velvets, com Reed, Cale, Morrison e Tucker explorando ao máximo os diferentes caminhos possíveis no rock.

A começar pela capa, o álbum é o contraponto perfeito ao colorido da época, algo como o lado negro da força. Sua primeira e homônima faixa é uma ode as anfetaminas, e dá pra imaginar a banda – toda de preto – tocando isso para o público psicodélico.

O ritmo de Wlwh é tribal e frenético, a guitarra de Lou Reed é barulhenta e suja – bem como o órgão de John Cale – e tudo nele parece se encaminhar para o fim dos tempos que é “Sister ray”, sua última e absurda faixa, com 17 minutos de pura jam session infernal.

Difícil visualizar a existência de bandas como Sonic Youth, Jesus and Mary Chain, Yo La Tengo e tantas outras sem o Velvet Underground.

Sua influência se estende com o passar das décadas, e toda a violência junkie de seu segundo álbum é parada obrigatória para quem enxerga o rock além dos limites convencionais.

Essencial!

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8 comentários sobre “The Velvet Underground – White Light White Heat (1968)

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