
Falar sobre a história dos Beastie Boys é falar sobre alguns dos capítulos mais importantes da música contemporânea.
Na ativa desde o comecinho dos anos 80, o grupo surgiu no underground novaiorquino, primeiro como uma banda punk – o EP Pollywoog stew, de 82, é puro hardcore – depois inserindo a estética do it yourself no rap e à partir de então criando um som próprio, inconfundível, onde rock, hip hop, sampladelismo (Paul’s boutique, de 89, é ‘o’ marco do copia e cola), dub, eletrônica, latinidades e o escambau são colocados na mesma panela..
Seu último álbum com vocais é To the 5 borroughs, de 2004; depois veio o instrumental The mix-up, de 2007, e em 2009 a descoberta de um câncer em Adam Yauch – ou MCA (que está bem, graças aos deuses da música) atrasou em dois anos o novo disco. Mas ele chegou, finalmente.
Senhoras e senhores, com vocês Hot sauce committee, pt. 2.
O álbum saiu no começo de maio pela Capitol. Após a viagem jazzy-funky de The mix-up e a colagem de samples e instrumentos em Hot sauce committee, part. 1 (não lançado oficialmente), o trio do Brooklyn volta a rimar sobre bases de um hip hop parrudo, cheio até as bordas de rock, efeitos, scratches, percussões, samples e muito groove.
Resumidamente, pode-se dizer que Mike D, MCA e Ad-Rock conseguiram mais uma vez fazer um disco poderoso, feito que vem se repetindo ao longo de sua carreira. Desde Licensed to ill (de 1986), o grupo vem lançando trabalhos inovadores, e se dessa vez não trazem exatamente nada de novo, condensam nas 16 faixas de Part. 2 tudo que já apresentaram ao mundo em seus sete álbuns.
O peso de “Say it” remete ao tempo em que sampleavam Led Zeppellin para construir seus beats; o dub de “Don’t play no games that I can’t win” – com a participação de Santi White (Santogold) nos vocais – mostra a liberdade criativa que os acompanha desde sempre; o punk rock da juventude chega com “Lee Majors come again”; a trip instrumental da vez é a deliciosa “Multilateral nuclear disarmament”; a pegada old school é forte em “Funky donkey”…
E em Hot sauce committee, part. 2 os Beastie Boys resgatam o bom humor perdido desde Hello nasty (de 1998), entregando aos fãs um disco festivo, cheio da malandragem das ruas de Nova Iorque e onde nitidamente celebram a vida.
Os meninos bestas – hoje todos por volta dos 45 anos – cresceram e evoluíram, claro. Mas são a prova de que na vida adulta irreverência e alegria ao invés de sisudez e mal humor são receitas básicas para a longevidade.
Então, brindemos à vida! E aos Beastie Boys! Saúde!
Mais que recomendado, obrigatório!
