Beastie Boys – Hot Sauce Committee, Pt. 2 (2011)

Falar sobre a história dos Beastie Boys é falar sobre alguns dos capítulos mais importantes da música contemporânea.

Na ativa desde o comecinho dos anos 80, o grupo surgiu no underground novaiorquino, primeiro como uma banda punk – o EP Pollywoog stew, de 82, é puro hardcore – depois inserindo a estética do it yourself no rap e à partir de então criando um som próprio, inconfundível, onde rock, hip hop, sampladelismo (Paul’s boutique, de 89, é ‘o’ marco do copia e cola), dub, eletrônica, latinidades e o escambau são colocados na mesma panela..

Seu último álbum com vocais é To the 5 borroughs, de 2004; depois veio o instrumental The mix-up, de 2007, e em 2009 a descoberta de um câncer em Adam Yauch – ou MCA (que está bem, graças aos deuses da música) atrasou em dois anos o novo disco. Mas ele chegou, finalmente.

Senhoras e senhores, com vocês Hot sauce committee, pt. 2.

O álbum saiu no começo de maio pela Capitol. Após a viagem jazzy-funky de The mix-up e a colagem de samples e instrumentos em Hot sauce committee, part. 1 (não lançado oficialmente), o trio do Brooklyn volta a rimar sobre bases de um hip hop parrudo, cheio até as bordas de rock, efeitos, scratches, percussões, samples e muito groove.

Resumidamente, pode-se dizer que Mike D, MCA e Ad-Rock conseguiram mais uma vez fazer um disco poderoso, feito que vem se repetindo ao longo de sua carreira. Desde Licensed to ill (de 1986), o grupo vem lançando trabalhos inovadores, e se dessa vez não trazem exatamente nada de novo, condensam nas 16 faixas de Part. 2 tudo que já apresentaram ao mundo em seus sete álbuns.

O peso de “Say it” remete ao tempo em que sampleavam Led Zeppellin para construir seus beats; o dub de “Don’t play no games that I can’t win” – com a participação de Santi White (Santogold) nos vocais – mostra a liberdade criativa que os acompanha desde sempre; o punk rock da juventude chega com “Lee Majors come again”; a trip instrumental da vez é a deliciosa “Multilateral nuclear disarmament”; a pegada old school é forte em “Funky donkey”…

E em Hot sauce committee, part. 2 os Beastie Boys resgatam o bom humor perdido desde Hello nasty (de 1998), entregando aos fãs um disco festivo, cheio da malandragem das ruas de Nova Iorque e onde nitidamente celebram a vida.

Os meninos bestas – hoje todos por volta dos 45 anos – cresceram e evoluíram, claro. Mas são a prova de que na vida adulta irreverência e alegria ao invés de sisudez e mal humor são receitas básicas para a longevidade.

Então, brindemos à vida! E aos Beastie Boys! Saúde!

Mais que recomendado, obrigatório!

4 comentários sobre “Beastie Boys – Hot Sauce Committee, Pt. 2 (2011)

  1. EXCELENTE resenha!!
    digna da genialidade sonora do grupo!meus parabens mesmo, sou leitor frequente do blog mas nunca tinha comentado, gosto tanto das resenhas que leio até sobre os discos que não me interessam rs!

    abração mano, força ae
    todo o nosso respeito a velha escola!!

  2. Pingback: Especial – Os Melhores Álbuns De 2011 « Pequenos Clássicos Perdidos

  3. Pingback: Beastie Boys – Paul’s Boutique (1989) « Pequenos Clássicos Perdidos

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