
Quando um artista do calibre de PJ Harvey lança um novo trabalho, o ouriço é geral. Desde que começou a carreira e lançou seu primeiro álbum (o essencial Dry, de 92), a cantora inglesa vem arrebatando uma legião de fãs, e não sem méritos é considerada por muitos a rainha do indie rock.
Ao longo desses tantos anos de estrada, PJ se reinventou – dentro de seus próprios limites – e indo das guitarras nervosas ao piano mais dor de cotovelo, expôs de várias formas suas vísceras e sentimentos.
Agora, com Let England shake a musa mais uma vez reconstrói seu caminho musical, usando fragmentos da história de seu país natal como tema para suas letras e – ao lado dos velhos parceiros John Parish, Mick Harvey e Flood – criando canções que têm cara de PJ Harvey, mas que soam diferentes de tudo que ela já fez.
Por vezes o álbum beira o folk, e PJ explora variações de timbre vocal (o que às vezes não funciona muito bem, vide a aguda “On battleship hill”) ou lembra outra cantora inglesa – Siouxsie – como na faixa-título que abre Let England shake. Os arranjos do disco são simples, construídos para acompanhar a melancolia presente em suas 12 faixas; não há guitarras estridentes nem pianos doloridos, e é o trabalho mais conceitual de sua carreira, servindo como um mergulho na dualidade da história inglesa.
Definitivamente este é um álbum para se ouvir com calma. E mais de uma vez.
PS: Lembrando que há um canal no Youtube para os vídeos que acompanham cada uma das faixas de Let England shake, todos dirigidos pelo fotógrafo de guerra Seamus Murphy.
