Weezer – Blue Album (1994)

 

Texto originalmente publicado em 2014 no seminal Zona Punk

Começar um texto valendo-se de um clichê é desprezível, então me desprezem: parece que foi ontem…

Há quase exatos 20 anos, ou precisamente 20 anos e 1 mês, era lançado o disco de estreia da banda que todos amam odiar, de velhos indies ensurdecidos pelo shoegaze e bestificados pelo lo-fi a jovens hipsters metidos a pós-roqueiros com seus pedais e experimentações. Weezer, o disco; Weezer, a banda.

Engraçado que sou velho, surdo de shoegaze, bestificado de lo-fi, vivo experimentando pós-rock, mas desde meu primeiro contato com o disquinho de capa azul (daí o ‘apelido’ Blue Album) nunca mais, em nenhum momento, desgrudei meus ouvidos – e meu coração – dele. E olha que realmente já faz um bocado de tempo.

Descobri o Weezer através do meu xará, o reverendo Fabio Massari e seu hoje mítico Lado B, na finada MTV Brasil. Daí pra descolar uma fitinha cassete do Blue Album foi um pulo, ou dois ônibus até a galeria do rock; depois, no walkman, de “My name is Jonas” a “Only in dreams”, foram repeats e mais repeats.

Quando saiu, em 94, o disco azul foi desprezado por grande parte dos roqueiros ditos alternativos, mas pode-se dizer que não era um momento lá muito propício para uma banda reeditar o power pop e enfiar no indie da época influências de hard rock, histórias em quadrinhos, harmonias vocais e romantismo à flor da pele. Há 20 anos o grunge ainda vivia seus dias de glória, ainda mais com a morte de Kurt Cobain, e pipocavam bandas ruins que acreditavam estar dando continuidade ao legado de Seattle, mesmo que na real elas estivessem colocando uma pedra sobre ele.

 

 

Do outro lado, os ‘alternativos de verdade’ achavam que “Say it ain’t so” e “Only in dreams” eram piegas e que o Blue Album era apenas mais um produto comercial, produzido por Rick Ocasek, puxado pelos vídeos do (genial) Spike Jonze, desinteressante à seus radicalismos distorcidos, desafinados e barulhentos. Já os hipsters brit poppers estavam mais interessados em passar o dia ouvindo Blur e Oasis (desprezando inclusive o Pulp, vejam bem o que é a mídia de massa) e os moderninhos que saltavam do rock para a recém-nascida cena eletrônica achavam qualquer coisa com guitarras ‘uó’.

E eu, que amava (e amo) o Nirvana, tinha (e tenho) o Sonic Youth como banda do coração, achava (e acho) Pulp o máximo e que já estava (e continuo) mergulhado até o pescoço em música eletrônica, que tinha tudo para odiar o Weezer, achava (e acho) eles demais (ao menos seus dois primeiros álbuns).

As muitas referências à cultura pop, as letras beirando a ingenuidade, os riffões, o romantismo, os refrões, os solos, a nerdice descarada, enfim, o conjunto da obra faz do Blue Album um dos discos da minha vida. E uma das marcas registradas do rock dos anos 90, goste-se dele ou não.

‘In the garage I feel safe,
no one cares about my ways…’

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